Resposta a esses e-mails com propaganda política

Publicado: 16/10/2010 em Uncategorized

Li cada um dos e-mails das campanhas que você enviou, e absorvi a informação…

É… a guerra pela cadeira do presidente está fervendo!

Mas, observei algo muito curioso. Parece que se inverteram os papéis… A campanha contra a Dilma, via internet, usa um “marketing” mais direto, mais agressivo, com difusão rápida de ideias já bem sedimentadas na cabeça das pessoas que não apoiam o PT.

Por outro lado, a campanha contra o Serra, pelos e-mails que você mandou, estão num nível um pouco mais elevado. Quero dizer, mais politizadas, com ideias expostas de forma mais fundamentada, ressaltando [por óbvio] os avanços da administração do Sr. Lula, utilizando um “marketing” menos agressivo, mais intelectualizado.

O que se percebe, de fato, analisando ambas as “campanhas on-line” é que cada uma visa alcançar [opto aqui pela transitividade direta do verbo] o público eleitor do candidato oposto.

Ora, já notou como as propagandas de carros [dirigidas à elite] ressaltam as qualidades, o conforto e o bem-estar que sentirá aquele que adquirir o produto anunciado? Embora curta, é uma propaganda detalhada, com ideias que são mostradas de forma “elástica” [o produto se adequa àquilo que você precisa, então, “que tal você comprá-lo??”].

A campanha pró-Serra, antagonicamente, quer atingir as massas, o público que vota na Dilma. Ideias de inconformidade com a atual administração pública são atiradas na cara do eleitor, quase que com anúncios em letras garrafais e um locutor gritando para você “correr agora porque a promoção é por tempo limitado!”. Sim, uma clara alusão a propagandas de lojas mercado de varejo [veja-se Ricardo Eletro, por exemplo].

Quem está certo?

Não faço ideia. Numa guerra, cada um luta com o que tem.

O fato mais triste que observei até agora, sinceramente, é a precariedade de propostas para o futuro do país, para a política interna e a internacional, para as demandas que o país apresenta hoje. Isso em ambos os lados da “guerra”, pois a maior preocupação da Sra. Dilma é dizer o quanto Lula isso ou o quanto Lula aquilo. Caralho, eu quero saber o que ELA vai fazer para governar esse “continente chamado Brasil”! E o Serra, então? Vai na mesma água, acreditando que esse modelo de propaganda deu certo [não deu?], e segue com sua campanha comparando-o ao Fernando Henrique, ou ressaltando o que foi feito naquela administração.

O foda [e aqui me reservo todo o direito de xingar mesmo] é que parece que o povo se alimenta disso.

Todo mundo gosta de ver os dois se engalfinhando, assim como adoramos ver a Coca-Cola e a Antártica se rasgando aos pedaços na mídia pelo mercado consumidor de guaraná, no final da década passada.

Será que alguém além do besta aqui parou para pensar que o Lula ou o Fernando Henrique não vão continuar/voltar a ser presidentes? Que as privatizações, como movimento mundial e resultante de um processo histórico de afastamento natural do Estado da economia, vão continuar a acontecer? [porque o Estado deve de fato se preocupar com a garantia dos direitos fundamentais de primeira geração, para garantir o pleno desenvolvimento social, e a efetivação das liberdades individuais conquistadas como um processo do constitucionalismo moderno, e não ditar e conduzir a economia como um pai dominador, mas como um maestro].

Outro pensamento que me invade a cabeça às vezes é o de que o modelo de governo atual é consequência do anterior, e do anterior, e do anterior. Fernando Henrique herdou a abertura do mercado e o enxugamento da máquina estatal realizado por Collor. Lula herdou a criação de uma moeda forte [sim, a usamos até hoje, certo?]. E, como um processo natural, o sucessor de Lula herdará um país bem localizado no cenário internacional, com o cumprimento de metas de desenvolvimento internacionais que só foram conquistadas porque outros antes dele contribuíram da mesma forma que ele mesmo contribuiu para o próximo presidente.

Seja lá quem for, o próximo presidente será péssimo em determinados pontos, médio em alguns, e ótimo em outros [até Vargas, “o deus”, foi assim].

A verdade [a minha, claro] é que a falsa guerra marqueteira que estamos vendo não chega nem perto da verdadeira batalha: por cargos, ministérios, altos salários, administração de estatais, lucro, aumento de impostos, ressurreição da CPMF, etc., etc., etc.

O lance do marketing é apenas uma cortina de fumaça… e quem cair nela, lamento, deixará de enxergar os verdadeiros propósitos de qualquer eleição que já se fez nesse país: poder.

Ah, era mais ou menos isso [acho um saco ler e-mail grande… se quiser, apague],
Charles

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