Zumbis existem!

Publicado: 11/04/2011 em Uncategorized

Há pouco tempo, não sei e nem vou aqui me preocupar em precisar o quanto, espalhou-se pelo mundo uma “onda zumbi”. Assim como a “onda vampírica” que fez pipocar filmes de quinta categoria como Crepúsculo [ECA!], a onda zumbi fez com que o mundo enlouquecesse em torno do assunto. Filmes, livros, revistinhas, camisetas… Tudo isso vendeu como banana num universo onde os macacos dominam o mundo.

Confesso aqui, clara e publicamente, minha simpatia por tais filmes [os de zumbi, claro].

Mas ultimamente venho pensando algumas coisas, analisando outras, e não demorou muito para que me viesse à mente essa comparação.

A grande praga deste século não é um vírus ou doença que infecta as pessoas e as transforma em “cadáveres ambulantes sedentos por carne humana fresca”, mas um produto químico alucinógeno capaz de transformar qualquer ser humano num zumbi em menos de vinte minutos. Me refiro ao crack.

Daquelas pessoas a quem a “praga do século” já levou, sobraram apenas um arremedo de lembrança. Eu digo essas coisas porque acompanho de perto a rotina de uma pessoa próxima que já foi levada por essa maldita pedra. O que se vê quando se olha para essa pessoa não é mais aquele ser humano que conhecemos antes. E todos eles [os “zumbis”, seguem o mesmo padrão]. Eles andam sujos, com roupas rasgadas, vagando sem rumo pela rua, na maior parte das vezes em bandos. Qualquer tentativa de contato com eles pode resultar não na perda de carne, mas na perda da sua própria vida [ou atentam contra sua vida, ou podem te transformar num zumbi também].

Chocante minha afirmação? Demais. Mas não mais chocante do que ver um deles de perto, do que enxergar a torpeza na alma deles, do que olhar nos olhos deles e ver o imenso vazio abissal que tomou conta da sua alma.

O crack hoje em dia é mais que um problema social, mais do que uma questão de saúde pública: é uma batalha perdida. Pelo menos, com as armas que vimos utilizando. Não há o que fazer. Não existe reabilitação, desintoxicação cem por cento eficaz, nem tratamento que livre o zumbi dessa praga. Outro dia vi no jornal aqui no Espírito Santo a história de uma mãe que, desesperada, acorrentou o filho zumbi à cama, para evitar que ele fosse para a rua se drogar ainda mais. O resultado? Já assistiu algum filme no qual o mocinho é atacado pelo zumbi? Esse foi o resultado… ele estava possesso, gritava, grunhia, xingava, se debatia, tentava atacar a mãe com mordidas, chutava os irmãos, dizia que queria “a pedra”, que ia sair dali e matar todos…. enfim, agia como age um zumbi faminto.

Esse que acompanho aqui [para os que sabem montar uma árvore genealógica: parente de segundo grau], está beirando esse estado… Está quase precisando ser acorrentado.

Em mim já não resta qualquer lampejo de pena, de piedade. Há muito tempo aceitei que aquela não é mais a pessoa que eu conheci, mas somente a carcaça, o corpo vivo com uma alma morta, uma sombra do que ele foi um dia. E para ele, assim como para milhares de outros, não há recuperação. Da mesma forma que inúmeras famílias, nos resta apenas esperar que cometa um crime e seja preso, que caia numa cama com alguma doença que o impeça de caminhar, ou que simplesmente morra. E o pior é que tenho certeza de que a pessoa a quem ele mais faz mal será a que mais chorará a sua morte [a mãe dele].

Quando isso acontecer, será o fim. O fim das noites mal dormidas, da ansiedade, do desespero ao ver o zumbi se aproximar de casa, da angústia ao acordar e imaginar o que o novo dia reserva, dos xingamentos, dos gritos, das agressões físicas, morais e psicológicas.

Digo que é uma batalha perdida, que os zumbis não têm recuperação, porque todos os dias vemos mais e mais pessoas se viciando nessa maldita pedra, e os jornais noticiam clínicas de recuperação que tentam até aplicações de choque e prisões em “solitárias”. Ora, essas técnicas já foram utilizadas há muito tempo em loucos e não deram certo. Isso, meus caros só prova que estamos todos perdidos quanto à busca por uma cura… Ninguém sabe exatamente o que fazer.

Para efeito de comparação, verifique as semelhanças entre os zumbis dos filmes e os reais… Depois, imagine só como será a vida na Terra, daqui a uns anos, pois por enquanto a praga ainda não se espalhou. Hoje ela é apenas vista como um “fato social” [isso até que o filho de alguém importante seja morto ou assaltado por um zumbi].

Só espero que alguém [que não seja a Umbrella Corporation] encontre uma cura [ou solução] para essa praga antes que precisemos usar napalm ou blindar carros e sair atirando nas cabeças de zumbis pelas ruas [de acordo com Resident Evil, isso seria bem divertido].

Atenção: Embora este não seja um texto de ficção, o autor não endossa, não encoraja, não aprecia, não divulga o terrorismo, nem tem quaisquer inclinações à prática de atos dessa natureza. As referências aqui utilizadas são meramente explicativas. Os exemplos do universo dos videogames e filmes são utilizados somente para ilustrar o texto e situar o leitor na temática abordada. O autor abomina a utilização de drogas e quaisquer formas de violência.

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comentários
  1. ahazaneim disse:

    Tenso… Realmente se for parar para comparar, eles são os zumbis da vida real.

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