Arquivo de agosto, 2011

Estava agora há pouco conversando com um amigo que, indignado, não entendia como alguém consegue confundir amizade com amor.

E eu concordo com esse amigo, amizade é algo diferente do amor.

É da minha natureza cuidar das pessoas que eu considero como amigas. Me preocupo se estão bem, se estão se alimentando bem, se estão bem de saúde, se já tomaram um rumo na vida… Essas coisas.

O problema é que as pessoas confundem a nossa necessidade de cuidar com aquele sentimento de importância que a pessoa amada assume para nós.

Sabe aquela frase “Não to te dando bola, apenas fui gentil com você”? É a mais pura verdade.

Tá, ok, eu não sou nada gentil com as pessoas. Aliás, sou rude mesmo, bronco, prefiro me isolar na multidão a fazer uma nova amizade. Tenho medo de me relacionar…

Seres humanos são criaturas medonhas, estranhas, complicadas.

Levei muitos anos para conquistar os quatro amigos que eu tenho, e vou levar muitos anos até conquistar mais um ou dois.

Não é porque eu converso com você que te considero amigo…

Eu sou um cara complicado, acho que aí é onde reside o problema.

Inocência Perdida

Publicado: 23/08/2011 em Uncategorized

Estou aqui indignado assistindo ao Jornal Nacional.

Vi uma matéria na qual algumas “crianças” foram a um hotel no Rio de Janeiro, distraíram a recepcionista, furtaram um celular, e depois, encontradas pela PM e levados ao Conselho Tutelar, gritavam, xingavam, atiravam caixas nos policiais.

Essas “crianças”, segundo a reportagem, tinham algo no entorno de dez anos.

Ora, que diabo de mundo é esse????

Aí vem uma pedagoga doida e diz que a “solução” para esse problema é colocar essas crianças em escolas… Ahhhh, puta que pariu! Será que tá todo mundo cego e só eu enxergo a realidade como ela é?!

Essas criaturas já viraram zumbis há muito tempo!

E o que a gente faz com zumbi? Arranca a cabeça!!!!!!

Falando sério… Essas criaturas não se encaixam mais nos moldes da vida em sociedade. São criaturas corrompidas muito cedo. Não tem educação no mundo que dê jeito nisso! São viciados, e não somente em drogas. O vício que têm é o do errado, é o vício da transgressão.

Alguém um dia me disse que existem certos limites da vida em sociedade que todos devemos respeitar [como não roubar, não matar…]. Segundo me disseram, uma vez que a pessoa transgride, ultrapassa esses limites, ela pode até conseguir dar um passo atrás e voltar, mas ela jamais será como alguém que nunca cruzou aquela linha. Ou seja, se torna irrecuperável.

É esse o caso! Isso que você viu na reportagem não é uma criança, mas um arremedo de gente, um projeto mal sucedido de ser humano e que deve ser castrado o quanto antes.

Não estou fazendo apologia à morte de crianças. Aliás, repito, aquilo ali nem criança é. E mais uma vez, a apologia é quanto ao extermínio de todos aqueles que não se enquadram à vida em sociedade,  pacífica e calma. Essas coisas não são mais seres humanos…

Eu sempre achei que eu fosse meio doido [rs]. E até me assusto quando leio essas baboseiras que eu escrevo aqui. Não levem à sério. Meu “passageiro sombrio” [com a licença do Dexter] assusta mas não morde. Ele só vive aqui, nos limites binários desse blog.

Eu realmente queria que esse vírus maldito [as drogas] fosse exterminado do planeta. É triste ver como as pessoas se transformam em monstros… E se você acha que eu estou exagerando, espere até ver alguém que você ama, alguém da sua família, usando crack. A pessoa se transforma, como se todos os demônios do inferno incorporassem nela.

Eu vejo isso bem de perto, já mencionei isso em outra postagem…

Dia dos pais

Publicado: 14/08/2011 em Uncategorized

Eu queria muito, meu pai, poder te abraçar nesse dia, tal como eram todos os abraços, tímidos e rápidos.

Queria poder sentar com você na cozinha, como costumávamos fazer, e conversar sobre os seus problemas, sobre o meu trabalho, pedir os seus conselhos…

Como eu quis, muitas vezes, aliás.

Queria te entregar mais um cartão que eu mesmo fiz, como das outras vezes, pedindo presente ao invés de oferecer.

Presente que eu jamais ganhei, um pedido não atendido.

Se eu soubesse, aliás, se você soubesse, teríamos aproveitado mais.

Um ano foi muito pouco… Um lampejo de vida para quem ainda tinha tanto a dizer, tanto a compartilhar, tantos abraços para serem dados.

Eu sei, pai, que agora você me ouve. Sei que agora você atende ao meu pedido.

Eu não posso te ver, nem te abraçar, mas eu posso sentir que a sua presença é constante.

Por isso eu não quero ir te visitar. Não agora, não hoje. Ainda me lembro da última vez que te vi, e aquela não é a imagem que eu quero guardar de você.

Eu quero me lembrar, para sempre, das vezes que eu saí do trabalho para almoçar com você. Quero me lembrar de quando rimos juntos enquanto você contava as histórias da sua infância.

Quero me lembrar do único momento em que senti que você realmente precisava de mim… Eu passei a noite toda ao seu lado, te vigiando, ajudando quando fui solicitado.

Por isso hoje não é um dia alegre, meu pai.

Eu choro não por pena de você, mas de mim, que fiquei.

Eu sei que o pai, o nosso Pai, está cuidando muito bem de você. E que um dia estaremos juntos novamente.

Por isso hoje eu quero encerrar pedindo a sua bênção, tal como fazia todas as noites, antes de ir dormir.

Escuridão interior

Publicado: 14/08/2011 em Uncategorized

Avanço pela noite, sozinho em casa. Eu a mantive na meia escuridão. É assim que tem sido, é assim que deve ser.

Reviso meu passado, procuro dentro de mim uma explicação, mas a resposta que encontro é sempre a mesma: há algo quebrado aqui.

Talvez por isso eu me critico, e me remoldo, me reinvento, e me machuco tanto.

Quem eu realmente sou? Uma crise existencial constante? Uma busca infindável por uma resposta inexistente? Por que só eu vejo, ouço, sinto, percebo coisas que ninguém mais consegue?

Olhos me vigiam o tempo todo, eu sei. Por isso eu visto a máscara e represento o papel. É o que tem me mantido de pé.

Até que eu descubra a verdade [e ela virá à tona], prefiro espreitar na escuridão, realizar todos os movimentos requeridos pelo operador das cordas só para ver o que acontece no final.

Não sei exatamente o que você quer dizer, nem mesmo quando me procura nos sonhos mais profundos, tenebrosos, tétricos. Mas sinto você presente. E quando acordo, por mais que tenha consciência do despertar, a dúvida sempre permanece… Qual das realidades é o sonho?

Ainda posso ouvir o som da tempestade caindo lá fora. Sinto o cheiro das plantas molhadas. Eu estou numa casa fria, sem cor, sem vida, sem iluminação, assistindo um fim de tarde chuvoso, sem luz. O céu, pálido, mal consegue iluminar o dia, que permanece na penumbra, tal como todo o restante do dia foi. Me faço confortável, sentado num sofá improvisado na janela, enquanto assisto a chuva cair e molhar o vidro. Minha respiração é quente naquele universo morto para o calor, onde as plantas se misturam perfeitas num verde escuro harmônico, e onde as sombras são ainda mais negras. A solidão não me preocupa, mais uma vez, estou confortável embora esteja sozinho. Do lado de fora há um quintal grande e com tantas plantas que não posso ver o portão. Eu sei, de uma forma ou de outra, e de uma vez por todas, que ali é meu lugar. Mas o que eu faço aqui então? Por que acordar e estragar tudo? Para que perder aquela sensação de completude, de paz interior? Eu me basto ali. Um dia você, e eu sei que foi você, chegou até mim e disse para eu não me preocupar, porque um dia eu voltaria para aquele lugar, mas para sempre. E você completou: “porque aqui é a realidade, lá é o sonho.”. Eu sempre soube disso, só não compreendia antes.

E enquanto eu não retorno para aquele lugar onde chamo “casa”, tento aprender a fechar os olhos e me imaginar lá, no meu refúgio sagrado, onde ninguém pode me alcançar, onde não sou melhor e nem pior do que ninguém simplesmente porque não preciso ser, onde um momento mágico ficou para sempre imortalizado, suspenso no ar. Feche os olhos, escute o som da chuva caindo lá fora, sinta o cheiro das plantas molhadas, das almofadas sobre os seus pés, sinta a forma como o frio te faz abraçar os joelhos… Essa é a escuridão a que me refiro, é dela que eu preciso… É o que acalma a minha alma.