De repente, 30! [Leco won: 1UP]

Publicado: 17/10/2011 em Uncategorized

Então…

Estou a 7 dias de completar 30 anos… Sinceramente, não achei que chegaria tão longe.

Não que eu esteja doente, nem que tenha vícios que me levem à morte. Mas há 23 anos eu via um futuro muito sombrio me esperando aos 30 anos de idade.

Tinha tudo para dar errado, claro.

Eu me via numa casa diferente das casas dos meus amigos. Meus pais se odiavam e passavam muito tempo reforçando esse ódio, gastando vida. Meu irmão mais velho nunca esteve de verdade por aqui. Sempre que as coisas ficavam ruins, e elas ficavam com uma frequência extraordinária, ele sumia. Eu, aos oito anos já fazia comida e limpava a casa antes da minha mãe chegar do trabalho. Durante o dia, meu cachorro me fazia companhia. Meus pais trabalhavam demais para colocar comida na mesa. Carinho e atenção de pai e mãe é um luxo que eu nunca tive.

Por isso eu via a casa dos meus amigos como algo fora da realidade. Pais que se importam como foi seu dia na escola, gente que conversa em vez de gritar, pessoas que bebem sem brigar… Muito surreal para mim. Se eu tinha inveja? Óbvio! Se eu pudesse definir ‘felicidade’ numa frase simples, diria: “é gente rindo e brincando, do outro lado do muro, e eu do lado de fora.”.

À medida que eu ia crescendo [mais para os lados que para cima], fui percebendo que minha previsão estava correta. As coisas não mudariam. Elas só ficavam cada vez piores. E assim foi durante um ‘bom’ tempo, pelo menos até meus 27 anos. Foi no ano de 2008 que perdi meu pai, justo um ano depois de ele descobrir que estava doente e resolver ser o que ele nunca foi: um pai de verdade. Deus ou o destino, como quiser, nos pregou uma peça épica: como odiar alguém que te maltratou uma vida inteira e em doze meses conseguiu desfazer todo o mal que causou? Ali, no instante em que voltava para casa, depois de enterrá-lo, percebi qual foi a missão daquele ser humano na terra: aprender e também ensinar o valor do perdão.

Quase três anos depois, aqui estamos.

Eu continuo o mesmo garoto de sempre: um moleque crescido, mal encarado, que odeia ser feito de bobo, odeia gente folgada, gente mentirosa, e que leva a vida na ‘tolerância zero’, mas com um coração bom. Sinto saudades do meu cachorro, especialmente do jeito como ele me olhava enquanto eu conversava com ele sobre os meus problemas. Ele, sim, foi um grande amigo. Ah, também não posso me esquecer da grande paixão que conheci aos 9 anos: Sonic! Assim que meu apartamento ficar pronto [março de 2012] devo decorar a sala com as cores do jogo original, lançado em 1991 [postarei as fotos aqui].

De vez em quando tenho alguns sonhos em série, aqueles que se repetem. Num deles, uma vez, um homem velho se aproximou de mim, enquanto eu observava uma floresta de um verde exuberante, e me disse para eu não ficar triste só porque estava chegando a hora de acordar, porque um dia eu não teria que passar por isso. Segundo ele, a realidade era lá, e o sonho, aqui. Eu não sei exatamente o que isso significa, mas sei que eu me sentia muito bem naquele lugar. E todas as vezes que volto naquela floresta, não quero acordar mais. Eu sinto que pertenço àquele lugar. Ali perto do lugar onde essa pessoa conversou comigo existe uma rua, com várias árvores altas, cujos galhos pendem ao alcance da mão, com folhas bem verdes e grandes. A rua é iluminada por raios de sol dourados, numa manhã de clima ameno. Do lado direito da calçada existem prédios de três andares, avermelhados, com portas de madeira preta, por onde se chega subindo uma escada de três degraus com um corrimão também preto. É ali que eu moro. Ou melhor, é ali que mora a minha paz de espírito.

E por falar em sonhos… Se os últimos 30 anos não foram exatamente muito bons [exceto os últimos 3], o que esperar daqui para frente? Sinceramente, não sei. Tudo o que posso dizer é que vou me esforçar para que os próximos anos sejam os melhores! Por isso eu sonho em conquistar muitas coisas ainda. Não sonho alto… Como bem diz o Dexter, o que eu realmente quero é ter uma vida tranquila. Não sonho com carros, altos salários, viagens, e nem luxos de qualquer natureza. Tudo o que eu quero é ter um trabalho digno, conquistar meu pão com o suor do meu rosto, e no final do dia voltar para a minha casa, jantar e dormir o sono dos justos, tendo a consciência tranquila por não ter enganado ninguém, nem mentido, nem praticado qualquer maldade. Eu deixo a ambição para os ambiciosos. Isso não serve para mim.

A maior conquista que eu sempre sonhei eu já conquistei: ter a minha casa, um cantinho só meu, à minha imagem e semelhança, onde ninguém vai gritar comigo, ninguém vai mandar em mim, nem me maltratar. A partir dessa conquista tudo de bom começa a acontecer com mais frequência… E se não acontecer mais nada, eu já estou feliz por Deus ter me permitido chegar até aqui, por nunca ter me abandonado, e por sempre falar comigo quando eu clamo por Ele.

Quanto ao presente de aniversário, não podia ser melhor: a empresa que faz os jogos do Sonic resolveu refazer com nova tecnologia [HD] as fases do jogo original lançado em 1991, 22 anos atrás… Quer presente melhor que esse??!

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