Arquivo de dezembro, 2011

Inumano

Publicado: 23/12/2011 em Uncategorized

Com toda a certeza tem alguma coisa muito errada com o mundo… Só não descobri ainda o que é, mas tem.

Mas como ter certeza se é o universo ou se sou eu o errado? Ora, se ‘universo’ compreende a minha percepção de toda a matéria, ok, então o louco sou eu. Mas se ‘universo’ refere-se a tudo o que existe exceto eu, então tudo está errado. Entretanto, assumindo que o erro está em tudo o que existe e sendo eu a única exceção, e portanto o único diferente no restante do mundo, isso não faria com que o errado fosse eu, e o resto do ‘mundo errado’ se transformaria automaticamente em certo?

Sinceramente, ainda não cheguei a uma conclusão.

Tudo o que sei por enquanto é que parece que a ordem das coisas não está correta. Sinto como se eu tivesse hábitos e costumes que existiram ou existem somente num outro universo, como se eu tivesse sido extraído daquele universo e inserido no mundo de vocês. Talvez isso explique as dores e as saudades que sinto de pessoas que nunca conheci, saudades de lugares que nunca fui. Fecho os olhos, principalmente nos momentos de maior angústia e estresse físico, e me reporto a um local bem semelhante ao da foto: uma cachoeira que termina num buraco, quase uma caverna, mas bem aberta, verde, cheirando a mato. Um lugar sagrado, de paz, onde eu jamais estou sozinho. Árvores e grama crescem ao longo do lago que se forma com a queda d’água. Ali, me deito sob a sombra de uma árvore e fico em paz.

Seria um local que criei na minha mente para fugir da realidade sempre que as coisas ficam ruins? Ou esse lugar de fato existe, e mais, teria estado lá?

O fato é que é muito difícil suportar o sentimento de que eu estou sozinho no mundo. Ser único não é tão maravilhoso quanto a mídia quer fazer parecer. E nesse ponto, especificamente quanto aos relacionamentos sociais, sou um paradoxo ambulante. Sinto a premente necessidade de ficar sozinho, de me isolar do restante da raça humana, e ao mesmo tempo invejo aquelas pessoas que estão sempre rodeados de amigos que ligam numa sexta a noite chamando para sair, ou que têm para quem contar um problema e pedir um conselho. Definitivamente, não é o meu caso.

Talvez eu tenha vindo com um defeito de fábrica, aliás, quebrado mesmo. Não deixo ninguém se aproximar o suficiente para me conhecer de verdade, mas ao mesmo tempo invejo aquelas amizades eternas, verdadeiras, sólidas.

Para efeito de comparação, sinto-me mais próximo do Dexter. Para quem ainda não viu, assista ao seriado. Em termos gerais, Dexter é um homem que veste uma máscara todos os dias quando sai de casa, pois sem ela não conseguiria viver em sociedade. É o meu caso. Nota: o personagem do seriado e do livro é um assassino, eu não. O máximo que tenho vontade de fazer é explodir a cabeça de algumas pessoas com a força do meu pensamento, mas infelizmente ainda não consegui.

Mas, voltando ao início e à razão deste post, o que vejo de errado, de diferente, no mundo é o fato de que as pessoas não estão nem aí para as outras. Se você prestar atenção, parar por um minuto e analisar algumas situações, me dará razão. Quantas vezes você espera um determinado comportamento ou uma reação específica de uma pessoa e ela simplesmente entra em torpor? Na medida do possível eu tento ser diferente, presto atenção ao que as pessoas me dizem, dou opiniões quando me pedem, aconselho quando necessário, faço com que as pessoas se sintam acolhidas, ainda que não tenha qualquer obrigação moral de fazê-lo. Infelizmente, a recíproca não é verdadeira.

Talvez esse seja apenas mais um mal da sociedade moderna: cada um olhando para o próprio umbigo. Por isso disse que talvez o errado seja eu, esperando coisas como ética, compaixão, amizade, cumplicidade de outros seres humanos. Mas é impossível aceitar isso como verdade sem questionar o seguinte: se hoje em dia ser humano é ser individualista e não dar a mínima para o próximo, então se eu sou diferente disso, logo, não sou humano!

Acho que é isso. Não sou humano mesmo. Eu devo ser um programa de computador, tal como a hipótese que levantei na página “about” deste blog.

Mas, se for um programa de computador, eu não deveria questionar essas coisas. E se o faço, seria um programa defeituoso… Ou seria um vírus?

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Amaldiçoado

Publicado: 21/12/2011 em Uncategorized

Hoje foi um dia diferente. Não que o céu esteja mais claro, nem que os pássaros tenham cantado mais ou que o vento tenha soprado mais calmamente.

A diferença vai muito além disso. Algo muito importante se quebrou no cerne do meu ser. Sabe aqueles dogmas axiomático que nos ensinam desde pequenos e que carregamos a vida toda? Tomemos como por exemplo o “amor de mãe”.

Além daqueles casos nos quais mulheres abandonam a sua cria assim que terminam de parir, também temos exemplos nos quais a tortura física e os maus tratos põem em dúvida a existência do chamado ‘amor de mãe’. Mas agora pensemos: devemos mesmo esperar que uma mãe ame incondicionalmente seu filho? Seria mesmo uma função quase que biologicamente predeterminada?

Ora, até as cachorras devoram seus filhotes de vez em quando. E o que dizer de certos animais que abandonam a prole assim que nascem? Ou, ainda pior, o que dizer de seres humanos do sexo feminino que parem outros seres humanos, os enrolam em sacos plásticos e os atiram em rios, jogam em buracos ou os enterram vivos?

Daí você pergunta: mas qual o sentido de trazer um tema desses agora, e qual a relação dele com este blog? Simples! O que aconteceu hoje põe em cheque essa verdade absoluta que eu pressupus a vida toda: a de que a minha mãe me ama incondicionalmente.

Numa só tacada, enquanto conversávamos sobre as dificuldades pelas quais meu irmão está passando, quando eu aproveitei para alertá-la de que muitos desses problemas são causados por ele mesmo,  ela soltou a pérola:

– Eu tenho vergonha de você! Maldito o dia que você nasceu!

E isso foi dito com a maior das tranquilidades, no meio da rua, para quem quisesse ouvir e sem o menor ressentimento.

Para quem gosta e acredita no natal, imaginem ouvir isso há quatro dias dessa data [in]feliz na qual pessoas ditas “normais” estarão comemorando o amor entre a família.

O fato é que eu não vou me esquecer dessas palavras, independente de ela pedir ou não perdão.

E não adianta argumentar que ela estava nervosa, que isso é uma fase, que vai passar. Eu estou cansado de levar em consideração essas desculpas esfarrapadas que as pessoas dão para falar e fazer o que querem. Talvez esse fato tenha sido meu verdadeiro presente de natal [e não o tablet que comprei para mim].

Daqui para frente as coisas vão mudar, já que não tenho mais uma família com quem me preocupar.