Amaldiçoado

Publicado: 21/12/2011 em Uncategorized

Hoje foi um dia diferente. Não que o céu esteja mais claro, nem que os pássaros tenham cantado mais ou que o vento tenha soprado mais calmamente.

A diferença vai muito além disso. Algo muito importante se quebrou no cerne do meu ser. Sabe aqueles dogmas axiomático que nos ensinam desde pequenos e que carregamos a vida toda? Tomemos como por exemplo o “amor de mãe”.

Além daqueles casos nos quais mulheres abandonam a sua cria assim que terminam de parir, também temos exemplos nos quais a tortura física e os maus tratos põem em dúvida a existência do chamado ‘amor de mãe’. Mas agora pensemos: devemos mesmo esperar que uma mãe ame incondicionalmente seu filho? Seria mesmo uma função quase que biologicamente predeterminada?

Ora, até as cachorras devoram seus filhotes de vez em quando. E o que dizer de certos animais que abandonam a prole assim que nascem? Ou, ainda pior, o que dizer de seres humanos do sexo feminino que parem outros seres humanos, os enrolam em sacos plásticos e os atiram em rios, jogam em buracos ou os enterram vivos?

Daí você pergunta: mas qual o sentido de trazer um tema desses agora, e qual a relação dele com este blog? Simples! O que aconteceu hoje põe em cheque essa verdade absoluta que eu pressupus a vida toda: a de que a minha mãe me ama incondicionalmente.

Numa só tacada, enquanto conversávamos sobre as dificuldades pelas quais meu irmão está passando, quando eu aproveitei para alertá-la de que muitos desses problemas são causados por ele mesmo,  ela soltou a pérola:

– Eu tenho vergonha de você! Maldito o dia que você nasceu!

E isso foi dito com a maior das tranquilidades, no meio da rua, para quem quisesse ouvir e sem o menor ressentimento.

Para quem gosta e acredita no natal, imaginem ouvir isso há quatro dias dessa data [in]feliz na qual pessoas ditas “normais” estarão comemorando o amor entre a família.

O fato é que eu não vou me esquecer dessas palavras, independente de ela pedir ou não perdão.

E não adianta argumentar que ela estava nervosa, que isso é uma fase, que vai passar. Eu estou cansado de levar em consideração essas desculpas esfarrapadas que as pessoas dão para falar e fazer o que querem. Talvez esse fato tenha sido meu verdadeiro presente de natal [e não o tablet que comprei para mim].

Daqui para frente as coisas vão mudar, já que não tenho mais uma família com quem me preocupar.

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