Afinal, a que universo pertenço?

Publicado: 22/03/2012 em Uncategorized

É estranha a sensação que tenho ao olhar fotos das pessoas… Calma, eu explico.

Fui recentemente compelido a fazer um perfil no Facebook. Com a proliferação viral e venenosa dessas redes sociais que em nada socializam, as pessoas têm cada vez mais deixado de usar serviços ‘do século passado’ como MSN. Até que nesse ponto o Facebook fez algo bacana por mim: ajudou a reencontrar alguns amigos de faculdade e até do Ensino Fundamental.

Por outro lado, comecei [instintivamente] a fazer um exercício… Ao ser obrigado [sim, a rede ‘social’ te obriga] a ver as fotos das pessoas, comecei a imaginar a que tipo de universo elas pertencem.

Ora, para a minha [não] surpresa, a maioria posta o mesmo tipo de fotos. Fotos de viagens, fotos de festas, fotos de idas a boates, fotos nas quais estão sempre rodeados de amigos, bebidas e exibindo um sorriso bem largo e farto.

A partir daí foi um passo curto até que eu começasse a me imaginar dentro daquele mesmo universo. E adivinha só qual foi a minha conclusão??? Eu não caibo ali.

Daí vem a minha pergunta: de que raio de universo eu sou então? E pergunto isso com toda a inquietude do mundo, porque não conheço sequer uma alma nesse universo que seja parecida comigo.

Eu costumo dizer que eu sou bicho-do-mato, e até já conversei com pessoas que também se acham assim. Mas sinceramente, nenhuma delas chega ao meu nível de antissociabilidade. A mera ideia de estar numa festa, rodeado de pessoas que eu não conheço, mesmo estando ao lado de dois ou três amigos, me dá calafrios.

É um milagre que eu tenha 4 amigos! Outro dia, conversando com eles, chegamos à conclusão de que nós só somos amigos porque nos conhecemos muito cedo, com 3, 6 e 9 anos. Nós somos totalmente diferentes e temos manias que são completamente irritantes para os outros do grupo.

Mas aí volto a me perguntar: qual seria o meu problema?? Por que raios eu vim a este universo assim? Será mesmo verdade que ‘nenhum homem é uma ilha’???

Acho que não. Afinal, eu sou uma ilha. Não me refiro somente à sensação de solidão, afinal, namoros, famílias, amigos, servem para evitar essa sensação… Certo? Me refiro a um sentimento muito maior, de estar sozinho no universo. É como se eu tivesse um irmão gêmeo que morreu, ou como se eu pertencesse a uma outra raça, ou como se viesse realmente de um outro universo que não este [algo bem parecido com o que o personagem Peter vem experimentando na quarta temporada de Fringe].

Mas sentir isso não é tão ruim quanto não conseguir moldar a realidade em torno de mim para fazer com que isso aconteça. Claro, só depende de mim! Eu poderia ser mais simpático, poderia ser mais amigável, poderia ser mais extrovertido, poderia viajar mais, poderia ir a mais festas, enfim. Mas eu não sou assim. Se fizesse isso, estaria diluindo o verdadeiro “eu” na vida de outra pessoa, ou pior, na vida de um personagem inventado.

Até que ponto, na verdade, não é isso o que as pessoas ditas ‘normais’ fazem? Talvez todas elas sejam atores interpretando papéis bem parecidos numa mesma peça na qual só eu consiga estar na plateia e ver as cordas que movem os seus braços e os contra-regras atrás das cortinas?

Questionar a própria normalidade, por si só, já não deve ser um bom sinal. E acredite, pago um preço bem caro por isso. É doloroso ver as coisas com um segundo olhar, com a visão de um expectador. Por pior que seja a dor ou por melhor que seja a alegria de participar de um momento, as sensações que você tem ao assistir a esse momento de fora são muito mais intensas.

Na verdade, a raiz de toda essa divagação eu conheço muito bem: medo de ficar sozinho, no final da peça. Ou seria apenas eu querendo viver a vida de outra pessoa?

Tenho, na verdade, que tirar o chapéu para todas as pessoas que conseguem conviver comigo, por que não é fácil. Nem eu mesmo suportaria alguém tão complexo, e tão cheio de divagações.

Talvez, meu universo, afinal de contas, seja esse… O plano atemporal das divagações não concluídas.

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