Arquivo de dezembro, 2012

ImagemBom, se você chegou até aqui é porque sabe bem do que estou falando: alergia ao corante amarelo chamado tartrazina, amplamente utilizado em alimentos em geral [principalmente balas], remédios e cosméticos.

Eu descobri há pouco tempo que tenho alergia a esse veneno alimentício e venho pesquisando muito sobre o assunto.

As informações ainda estão muito dispersas e é difícil chegar a conclusões, principalmente porque a ciência ainda não tem certeza e porque vários blog’s por aí andam trabalhando mais com “achismo” do que com informação de verdade.

Por isso, descobri algumas coisas que quero partilhar:

O Senado Federal está analisando um Projeto de Lei que visa a obrigar a todos os fabricantes de alimentos que contenham tartrazina a especificar, no rótulo, a informação [tal como ocorre nos alimentos que contém glúten]. Atualização: o Projeto de Lei foi arquivado, pois os parlamentares entenderam que a) não há prova de que a tartrazina causa alergia e b) não se trata de assunto relevante para o país neste momento. Para acompanhar o andamento do projeto, clique neste link. Também a Câmara dos Deputados possui um projeto de lei em tramitação sobre o assunto, que pode ser consultado neste link.

O Ministério Público Federal de São Paulo ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA peticionando que a Justiça obrigue os fabricantes de alimentos que contém tartrazina a escreverem nos rótulos: “Este produto contém o corante amarelo tartrazina que pode causar reações de natureza alérgica, entre as quais asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao Ácido Acetil Salicílico” [sic]. A Ação Civil Pública foi proposta perante a Justiça Federal, sob o número 2005.61.00.008841-8 e já obteve sentença favorável do juiz. A íntegra da sentença pode ser lida neste link. Entretanto, houve apelação [a ANVISA recorreu, aparentemente sob a alegação de que não há embasamento científico suficiente para a obrigatoriedade da transcrição nos rótulos, e que isso poderia causar medo na população de comer um ou outro alimento].

Aqui cabem duas considerações. Primeiro, a mera indicação no rótulo do alimento dizendo que um de seus ingredientes é a tartrazina [como é feita hoje em dia] não basta para proteger o cidadão e muito menos garante o seu direito à saúde e à informação [art. 6.º III c/c art. 9.º do Código de Defesa do Consumidor, consultável neste link]. Eu mesmo desconhecia o fato de ser alérgico à tartrazina, embora soubesse que era alérgico ao ácido acetilsalicílico [AAS, Dipirona, etc.]. Em segundo lugar, a ANVISA dizer que não há embasamento científico para a proibição do uso do corante não exclui a obrigatoriedade de os fabricantes nos informarem do que estamos ingerindo.

Sinceramente, não dou a mínima para a falta de pesquisas sérias nesta área. Explicando: numa sociedade capitalista, na qual o que move a mão do administrador público é o dinheiro, acho pouco provável que haja alguma pesquisa realmente levada à sério. Isso porque a iniciativa pública não se moveu até o momento e o interesse da iniciativa privada é da continuidade do uso do corante.

O que realmente me incomoda é saber que a partir de hoje minhas refeições serão como um campo minado: a qualquer momento posso comer alguma coisa e ter urticária, asma ou edema de glote, já que a informação a que tenho direito está sendo negada pelos fabricantes.

Só depois de passar por tudo isso eu parei de debochar dos “naturebas” [como a maioria das pessoas fazem]. Agora, quando vou ao supermercado, as pessoas ficam me olhando porque eu examino os ingredientes de cada alimento, por menores que sejam as letras.

A verdade, meus amigos, é que a indústria alimentícia está envenenando as pessoas todos os dias! A quantidade de corantes, acidulantes, conservantes, aromatizantes e o escambau a quatro contida nos alimentos é assustadora. Tudo o que é industrializado possui esses venenos. Antes, eu me preocupava com a minha hipertensão arterial e evitava alimentos com alta concentração de sódio, principalmente os enlatados. Hoje, nem suco de garrafa eu tomo mais. Sigo uma alimentação o mais natural possível e vigio atentamente as reações do meu corpo quando é impossível substituir um alimento industrializado por um natural.

Tudo indica, juridicamente falando, que o nosso direito à informação vai prevalecer. Os rótulos devem ser mudados. A única forma de isso não acontecer é o poder do capital falar mais alto e a sociedade se calar.

Ainda não entendi porque isso não foi veiculado na imprensa… Talvez porque esse tipo de notícia não vende tanto quanto marginal sendo morto pela polícia [o que, a meu ver, é algo muito mais que natural].

Maternidade

Publicado: 25/12/2012 em Uncategorized

Nada mais apropriado para esta época, o Natal, do que transcrever alguns pequenos pensamentos sobre a maternidade.

Todos temos defeitos, sem exceção. Aquela fábula que nos contaram e que dizia que as mães são sempre amáveis, dóceis, imaculadas, era mentira. Sim, a sua e a minha mãe são pessoas comuns como quaisquer outras: têm defeitos e qualidades.

Agora, pensemos na questão da honra. Além do Mandamento ordenar “Honrarás pai e mãe…”, temos a questão do poder familiar que cria, de plano, a figura do respeito entre ascendentes e descendentes, é claro, reforçado sempre na via ascendental.

Eu posso aceitar que minha mãe tenha defeitos, e ela os têm. Mas devo aceitá-la como é e honrá-la também. Imaginemos que ela já soubesse, quando do desenvolvimento do feto em seu ventre, que eu tinha arritmia cardíaca, hipertensão, que nasceria míope e um tanto estrábico? Ela teria abortado? Teria mantido a gestação e, logo após o nascimento, rejeitado a criança? Acho que não, porque ela não o fez.

Então, por que eu, no auge dos meus trinta anos, depois de todas as tempestades que essa senhora suportou, todas as noites que sentiu frio para que eu me aquecesse, sentiu fome para que eu não sentisse, por que, pergunto, vou afastá-la da minha vida agora só porque consigo enxergar os defeitos dela?

Da mesma forma que ela, recebendo o diagnóstico de miopia avançada que poderia evoluir à cegueira, não me abandonou, mas foi comigo até a sala de aula, sentou-se e escrevia para mim, agora é minha vez de acompanhá-la.

Sinto que aquele ditado “Uma mãe é para dez filhos, mas dez filhos não são para uma mãe” está errado.

A vida é feita de…

Publicado: 01/12/2012 em Uncategorized

Chapolin-dúvidaPor que as campanhas de marketing insistem em começar alguns comerciais querendo definir do que é feita a vida???

“A vida é feita de…”, perdi as contas de quantas vezes ouvi isso na tv.

Ora, se a vida for “feita” de alguma coisa, significa que ela pode ser construída. E se ela pode ser construída, a matéria-prima é esperma e óvulo.

Agora imagina uma propaganda que diga “Porque a vida é feita de sexo, esperma e óvulo.”.

Isso realmente seria muito mais interessante.