Depressão

Publicado: 13/04/2016 em Uncategorized

Há muito tempo eu tive um sonho. Nele eu era uma criança que caminhava com muita dificuldade até chegar às janelas da sala da casa onde vivia. De dentro da casa vinha o som de um piano solitário no fundo de uma sala vazia. A melodia produzida pelo instrumento era melancólica e doce ao mesmo tempo. Eu sabia que estava em casa ali. Sabia que não estava ali ao mesmo tempo, porque não podia entrar na sala. E sabia que um dia, quem sabe, eu voltaria àquele lugar.

Hoje, mais de quinze anos depois, ainda me lembro das sensações, das cores, dos cheiros, de tudo o que senti naquela fração de segundo que parei para observar aquela cena.

Hoje sei que aquele piano solitário era eu, naquele momento. Eu me sentia sozinho no universo, como um instrumento solitário numa sala vazia, produzindo uma melodia incompreendida pelo mundo. Inocente, como uma criança parada na porta da própria casa, observando a vida acontecer lá dentro, sem poder entrar.

Hoje percebo que aquela era a forma que eu via o meu lugar no mundo: como um expectador apenas, como aquele que não pode participar da vida.

Hoje sei o porquê de eu passar tanto tempo olhando as famílias felizes, pelas luzes que chegava à rua através das frestas das janelas, além das grades das casas: toda a felicidade estava lá dentro.

Hoje eu sei que aquela concepção toda não era verdade.

dog

A felicidade que eu tanto desejava estava, com o cuidado, o acolhimento, o bem-querer, o amor, o afago, a amizade, o companheirismo, a família, dentro de mim o tempo todo.

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