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O ‘Divino’

Publicado: 12/05/2016 em Uncategorized

lighting-4Cada um tem a experiência com o ‘divino’ de uma forma muito particular, mas desde quando comecei a notar isso que você comentou vi que a própria religião estava me afastando dela. Passei 31 anos sendo um cristão fervoroso, orando, ajudando o próximo, tendo compaixão e misericórdia de todos aqueles que eu via estarem em situação de necessidade.

Pedia e aguardava pacientemente deus ouvir e, julgando que eu fosse ‘merecedor’, conceder aquilo que eu pedia. E isso foi assim até o dia que comecei a notar uma diferença muito grande entre o mundo descrito na ‘palavra’ e o mundo real, entre a igreja do ‘dever ser’ e a igreja do ‘ser’, entre o ‘deus de amor’ que eu tanto acreditava e o deus castigador, perseguidor, vingativo e injusto que circulava na boca dos cristãos.

Foi aí que decidi prestar menos atenção no que os outros falavam e procurar deus dentro de mim. Só que o deus dentro de mim não era compatível com o ‘deus da bíblia’, nem como ‘deus da igreja’, nem com o ‘deus dos cristãos’. As coisas não se encaixavam porque não cabia no meu deus qualquer resquício de maldade.

Ainda muito preocupado e tentando entender toda essa situação, recorri à própria bíblia (I João, cap. 4, vers. 1; Salmo 34, vers. 8) e descobri que o caminho seria pedir a ‘deus’ uma prova da sua existência, porque não via sentido no tanto de sofrimento que passei por mais de trinta anos sendo uma pessoa que se esforçava ao máximo para cumprir a palavra.

Eu estou há três anos aguardando uma resposta que ainda não veio, e provavelmente não virá. Não há sentido em crer numa divindade ‘boa’ que permite o sofrimento das pessoas ‘para que elas aprendam’. E não há o menor sentido em acreditar que essa mesma divindade prefira agir por meios tortuosos, silenciosos, não perceptíveis pelos humanos, já que ela ‘pode tudo’. Igualmente não há razão para acreditar que ‘o tempo de deus’ é diferente do ‘tempo dos homens’, porque se ‘deus’ é bom e se pode tudo, deixar de impedir um mal agora para impedi-lo daqui quarenta anos é, em si, uma atitude má do ponto de vista de quem sofre aguardando uma providência.

Em resumo: a lógica me afastou da religião cristã. O ‘deus cristão’ não pode ser bom e poder tudo ao mesmo tempo, porque a única justificativa para prolongar ou perpetuar o sofrimento de uma pessoa é não poder ajudá-la. Se pode ajudá-la e não ajuda, é porque se regozija no sofrimento, o que é uma atitude má.

Por isso, concluí que o ‘divino’ somos nós. Não devemos esperar que os céus se abram e a providência chegue até nós. Se quisermos que algo aconteça, que a realidade mude, devemos arregaçar as mangas e promover a mudança com nossas próprias mãos.

E até que a prova da existência do ‘deus’, do ‘divino’, se apresente da forma que eu pedi três anos atrás, essa crendice, para mim, não passará de uma alegoria inventada por pessoas que se escondiam nas cavernas com medo toda vez que trovejava.

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Depressão

Publicado: 13/04/2016 em Uncategorized

Há muito tempo eu tive um sonho. Nele eu era uma criança que caminhava com muita dificuldade até chegar às janelas da sala da casa onde vivia. De dentro da casa vinha o som de um piano solitário no fundo de uma sala vazia. A melodia produzida pelo instrumento era melancólica e doce ao mesmo tempo. Eu sabia que estava em casa ali. Sabia que não estava ali ao mesmo tempo, porque não podia entrar na sala. E sabia que um dia, quem sabe, eu voltaria àquele lugar.

Hoje, mais de quinze anos depois, ainda me lembro das sensações, das cores, dos cheiros, de tudo o que senti naquela fração de segundo que parei para observar aquela cena.

Hoje sei que aquele piano solitário era eu, naquele momento. Eu me sentia sozinho no universo, como um instrumento solitário numa sala vazia, produzindo uma melodia incompreendida pelo mundo. Inocente, como uma criança parada na porta da própria casa, observando a vida acontecer lá dentro, sem poder entrar.

Hoje percebo que aquela era a forma que eu via o meu lugar no mundo: como um expectador apenas, como aquele que não pode participar da vida.

Hoje sei o porquê de eu passar tanto tempo olhando as famílias felizes, pelas luzes que chegava à rua através das frestas das janelas, além das grades das casas: toda a felicidade estava lá dentro.

Hoje eu sei que aquela concepção toda não era verdade.

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A felicidade que eu tanto desejava estava, com o cuidado, o acolhimento, o bem-querer, o amor, o afago, a amizade, o companheirismo, a família, dentro de mim o tempo todo.

ImagemBom, se você chegou até aqui é porque sabe bem do que estou falando: alergia ao corante amarelo chamado tartrazina, amplamente utilizado em alimentos em geral [principalmente balas], remédios e cosméticos.

Eu descobri há pouco tempo que tenho alergia a esse veneno alimentício e venho pesquisando muito sobre o assunto.

As informações ainda estão muito dispersas e é difícil chegar a conclusões, principalmente porque a ciência ainda não tem certeza e porque vários blog’s por aí andam trabalhando mais com “achismo” do que com informação de verdade.

Por isso, descobri algumas coisas que quero partilhar:

O Senado Federal está analisando um Projeto de Lei que visa a obrigar a todos os fabricantes de alimentos que contenham tartrazina a especificar, no rótulo, a informação [tal como ocorre nos alimentos que contém glúten]. Atualização: o Projeto de Lei foi arquivado, pois os parlamentares entenderam que a) não há prova de que a tartrazina causa alergia e b) não se trata de assunto relevante para o país neste momento. Para acompanhar o andamento do projeto, clique neste link. Também a Câmara dos Deputados possui um projeto de lei em tramitação sobre o assunto, que pode ser consultado neste link.

O Ministério Público Federal de São Paulo ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA peticionando que a Justiça obrigue os fabricantes de alimentos que contém tartrazina a escreverem nos rótulos: “Este produto contém o corante amarelo tartrazina que pode causar reações de natureza alérgica, entre as quais asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao Ácido Acetil Salicílico” [sic]. A Ação Civil Pública foi proposta perante a Justiça Federal, sob o número 2005.61.00.008841-8 e já obteve sentença favorável do juiz. A íntegra da sentença pode ser lida neste link. Entretanto, houve apelação [a ANVISA recorreu, aparentemente sob a alegação de que não há embasamento científico suficiente para a obrigatoriedade da transcrição nos rótulos, e que isso poderia causar medo na população de comer um ou outro alimento].

Aqui cabem duas considerações. Primeiro, a mera indicação no rótulo do alimento dizendo que um de seus ingredientes é a tartrazina [como é feita hoje em dia] não basta para proteger o cidadão e muito menos garante o seu direito à saúde e à informação [art. 6.º III c/c art. 9.º do Código de Defesa do Consumidor, consultável neste link]. Eu mesmo desconhecia o fato de ser alérgico à tartrazina, embora soubesse que era alérgico ao ácido acetilsalicílico [AAS, Dipirona, etc.]. Em segundo lugar, a ANVISA dizer que não há embasamento científico para a proibição do uso do corante não exclui a obrigatoriedade de os fabricantes nos informarem do que estamos ingerindo.

Sinceramente, não dou a mínima para a falta de pesquisas sérias nesta área. Explicando: numa sociedade capitalista, na qual o que move a mão do administrador público é o dinheiro, acho pouco provável que haja alguma pesquisa realmente levada à sério. Isso porque a iniciativa pública não se moveu até o momento e o interesse da iniciativa privada é da continuidade do uso do corante.

O que realmente me incomoda é saber que a partir de hoje minhas refeições serão como um campo minado: a qualquer momento posso comer alguma coisa e ter urticária, asma ou edema de glote, já que a informação a que tenho direito está sendo negada pelos fabricantes.

Só depois de passar por tudo isso eu parei de debochar dos “naturebas” [como a maioria das pessoas fazem]. Agora, quando vou ao supermercado, as pessoas ficam me olhando porque eu examino os ingredientes de cada alimento, por menores que sejam as letras.

A verdade, meus amigos, é que a indústria alimentícia está envenenando as pessoas todos os dias! A quantidade de corantes, acidulantes, conservantes, aromatizantes e o escambau a quatro contida nos alimentos é assustadora. Tudo o que é industrializado possui esses venenos. Antes, eu me preocupava com a minha hipertensão arterial e evitava alimentos com alta concentração de sódio, principalmente os enlatados. Hoje, nem suco de garrafa eu tomo mais. Sigo uma alimentação o mais natural possível e vigio atentamente as reações do meu corpo quando é impossível substituir um alimento industrializado por um natural.

Tudo indica, juridicamente falando, que o nosso direito à informação vai prevalecer. Os rótulos devem ser mudados. A única forma de isso não acontecer é o poder do capital falar mais alto e a sociedade se calar.

Ainda não entendi porque isso não foi veiculado na imprensa… Talvez porque esse tipo de notícia não vende tanto quanto marginal sendo morto pela polícia [o que, a meu ver, é algo muito mais que natural].

Maternidade

Publicado: 25/12/2012 em Uncategorized

Nada mais apropriado para esta época, o Natal, do que transcrever alguns pequenos pensamentos sobre a maternidade.

Todos temos defeitos, sem exceção. Aquela fábula que nos contaram e que dizia que as mães são sempre amáveis, dóceis, imaculadas, era mentira. Sim, a sua e a minha mãe são pessoas comuns como quaisquer outras: têm defeitos e qualidades.

Agora, pensemos na questão da honra. Além do Mandamento ordenar “Honrarás pai e mãe…”, temos a questão do poder familiar que cria, de plano, a figura do respeito entre ascendentes e descendentes, é claro, reforçado sempre na via ascendental.

Eu posso aceitar que minha mãe tenha defeitos, e ela os têm. Mas devo aceitá-la como é e honrá-la também. Imaginemos que ela já soubesse, quando do desenvolvimento do feto em seu ventre, que eu tinha arritmia cardíaca, hipertensão, que nasceria míope e um tanto estrábico? Ela teria abortado? Teria mantido a gestação e, logo após o nascimento, rejeitado a criança? Acho que não, porque ela não o fez.

Então, por que eu, no auge dos meus trinta anos, depois de todas as tempestades que essa senhora suportou, todas as noites que sentiu frio para que eu me aquecesse, sentiu fome para que eu não sentisse, por que, pergunto, vou afastá-la da minha vida agora só porque consigo enxergar os defeitos dela?

Da mesma forma que ela, recebendo o diagnóstico de miopia avançada que poderia evoluir à cegueira, não me abandonou, mas foi comigo até a sala de aula, sentou-se e escrevia para mim, agora é minha vez de acompanhá-la.

Sinto que aquele ditado “Uma mãe é para dez filhos, mas dez filhos não são para uma mãe” está errado.

A vida é feita de…

Publicado: 01/12/2012 em Uncategorized

Chapolin-dúvidaPor que as campanhas de marketing insistem em começar alguns comerciais querendo definir do que é feita a vida???

“A vida é feita de…”, perdi as contas de quantas vezes ouvi isso na tv.

Ora, se a vida for “feita” de alguma coisa, significa que ela pode ser construída. E se ela pode ser construída, a matéria-prima é esperma e óvulo.

Agora imagina uma propaganda que diga “Porque a vida é feita de sexo, esperma e óvulo.”.

Isso realmente seria muito mais interessante.

É estranha a sensação que tenho ao olhar fotos das pessoas… Calma, eu explico.

Fui recentemente compelido a fazer um perfil no Facebook. Com a proliferação viral e venenosa dessas redes sociais que em nada socializam, as pessoas têm cada vez mais deixado de usar serviços ‘do século passado’ como MSN. Até que nesse ponto o Facebook fez algo bacana por mim: ajudou a reencontrar alguns amigos de faculdade e até do Ensino Fundamental.

Por outro lado, comecei [instintivamente] a fazer um exercício… Ao ser obrigado [sim, a rede ‘social’ te obriga] a ver as fotos das pessoas, comecei a imaginar a que tipo de universo elas pertencem.

Ora, para a minha [não] surpresa, a maioria posta o mesmo tipo de fotos. Fotos de viagens, fotos de festas, fotos de idas a boates, fotos nas quais estão sempre rodeados de amigos, bebidas e exibindo um sorriso bem largo e farto.

A partir daí foi um passo curto até que eu começasse a me imaginar dentro daquele mesmo universo. E adivinha só qual foi a minha conclusão??? Eu não caibo ali.

Daí vem a minha pergunta: de que raio de universo eu sou então? E pergunto isso com toda a inquietude do mundo, porque não conheço sequer uma alma nesse universo que seja parecida comigo.

Eu costumo dizer que eu sou bicho-do-mato, e até já conversei com pessoas que também se acham assim. Mas sinceramente, nenhuma delas chega ao meu nível de antissociabilidade. A mera ideia de estar numa festa, rodeado de pessoas que eu não conheço, mesmo estando ao lado de dois ou três amigos, me dá calafrios.

É um milagre que eu tenha 4 amigos! Outro dia, conversando com eles, chegamos à conclusão de que nós só somos amigos porque nos conhecemos muito cedo, com 3, 6 e 9 anos. Nós somos totalmente diferentes e temos manias que são completamente irritantes para os outros do grupo.

Mas aí volto a me perguntar: qual seria o meu problema?? Por que raios eu vim a este universo assim? Será mesmo verdade que ‘nenhum homem é uma ilha’???

Acho que não. Afinal, eu sou uma ilha. Não me refiro somente à sensação de solidão, afinal, namoros, famílias, amigos, servem para evitar essa sensação… Certo? Me refiro a um sentimento muito maior, de estar sozinho no universo. É como se eu tivesse um irmão gêmeo que morreu, ou como se eu pertencesse a uma outra raça, ou como se viesse realmente de um outro universo que não este [algo bem parecido com o que o personagem Peter vem experimentando na quarta temporada de Fringe].

Mas sentir isso não é tão ruim quanto não conseguir moldar a realidade em torno de mim para fazer com que isso aconteça. Claro, só depende de mim! Eu poderia ser mais simpático, poderia ser mais amigável, poderia ser mais extrovertido, poderia viajar mais, poderia ir a mais festas, enfim. Mas eu não sou assim. Se fizesse isso, estaria diluindo o verdadeiro “eu” na vida de outra pessoa, ou pior, na vida de um personagem inventado.

Até que ponto, na verdade, não é isso o que as pessoas ditas ‘normais’ fazem? Talvez todas elas sejam atores interpretando papéis bem parecidos numa mesma peça na qual só eu consiga estar na plateia e ver as cordas que movem os seus braços e os contra-regras atrás das cortinas?

Questionar a própria normalidade, por si só, já não deve ser um bom sinal. E acredite, pago um preço bem caro por isso. É doloroso ver as coisas com um segundo olhar, com a visão de um expectador. Por pior que seja a dor ou por melhor que seja a alegria de participar de um momento, as sensações que você tem ao assistir a esse momento de fora são muito mais intensas.

Na verdade, a raiz de toda essa divagação eu conheço muito bem: medo de ficar sozinho, no final da peça. Ou seria apenas eu querendo viver a vida de outra pessoa?

Tenho, na verdade, que tirar o chapéu para todas as pessoas que conseguem conviver comigo, por que não é fácil. Nem eu mesmo suportaria alguém tão complexo, e tão cheio de divagações.

Talvez, meu universo, afinal de contas, seja esse… O plano atemporal das divagações não concluídas.

 

Se você tinha dúvida se era bom na coisa ou mesmo se alguém algum dia criticou a sua performance no sexo oral, não tema, tudo se esclarecerá a partir de agora.

Existe um teste, criado pelo renomado autor deste blog e com total comprovação [não]científica, que é capaz de determinar o quão bom você é na coisa. Para aqueles que ainda não fizeram, usem o teste para fazer um excelente treinamento.

O primeiro passo é ir até o supermercado ou padaria mais próxima e comprar, pasmem, um Danoninho [marca registrada].

Segundo passo: fique num lugar onde as pessoas não vão ter certeza de que você é doido [só o fato de ler isso aqui já faz as pessoas desconfiarem da sua sanidade].

Terceiro passo: o desafio aqui é comer o Danoninho todo, deixando o copinho completamente limpo, somente usando a língua. Se você conseguir comer todo o produto, inclusive o do fundo, sem amassar o potinho e sem colocar o dedo, parabéns!

Claro, dedos são importantes, mas não agora.

Meu Ritmo

Publicado: 15/03/2012 em Uncategorized
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Então… Hoje a vida anda tão corrida que a única forma de expressar tudo o que está acontecendo é fazer uma pequena referência ao episódio “The Work Song Nanocluster”, da série “The Big Bang Theory”. Cantando e trabalhando… Tal como os marinheiros.

Letra [fonte: http://www.fotolog.com.br/flopy_darkmoon/44841139/%5D

BLOW THE MAN DOWN

Come all ye young fellows that follow the sea
To me weigh hey blow the man down
And pray pay attention and listen to me
GIVE ME SOME TIME TO BLOW THE MAN DOWN!

I’m a deep water sailor just in from Hong Kong
To me weigh hey blow the man down
If you’ll give me some rum I’ll sing you a song
Give me some time to blow the man down

T’was on a Black Baller I first spent my time
To me weigh hey blow the man down
And on that Black Baller I wasted my prime
Give me some time to blow the man down

T’is when a Black Baller’s preparing for sea
To me weigh hey blow the man down
You’d split your sides laughing at the sights that you see
Give me some time to blow the man down

With the tinkers and tailors and soldiers and all
To me weigh hey blow the man down
That ship for prime seamen onboard a Black Ball
Give me some time to blow the man down

T’is when a Black Baller is clear of the land
To me weigh hey blow the man down
Our boatswain then gives us the word of command
Give me some time to blow the man down

Lay aft is the cry to the break of the poop
To me weigh hey blow the man down
Or I’ll help you along with the toe of my boot
Give me some time to blow the man down

T’is larboard and starboard on the deck you will sprawl
To me weigh hey blow the man down
For Kicking Jack Williams commands the Black Ball
Give me some time to blow the man down

Aye first it’s a fist and then it’s a pall
To me weigh hey blow the man down
When you ship as a sailor aboard the Black Ball
Give me some time to blow the man down
Blow the man down blow the man down
Give me some time to blow the man down

(Blow the man down)

De repente percebi que o preço para manter amizades é sacrificar parte do meu dia e do meu tempo para dar atenção às pessoas…

Interessante.

Num universo onde a intimidade e a valorização da vida privada aumentam a cada dia, parece-me um contrassenso trocar minha intimidade e meu tempo por amigos.

Por que os seres humanos são assim? Tão dependentes da pseudo-noção de que somente a socialização é capaz de unir as pessoas…? Por que ninguém se contenta em ser amigo sem a trágica experiência de confraternizações desnecessárias, churrascos malsucedidos, abraços apertados e beijos molhados e falsos? Aliás, por si só qualquer contato físico não consentido com outro ser humano é totalmente desnecessário.

Enfim, só mais um desabafo, enquanto a raça humana não evolui.

Às vezes somos supreendidos por mensagens incrivelmente profundas apresentadas de forma tão simples que, por si só, a sua simplicidade pode ofuscar a grandiosidade da mensagem original.

Confuso? Explico. Me deparei com a música “My Pace”, da banda japonesa Sunset Swish, que rolava enquanto subiam os créditos do anime Bleach. Embora a animação criada para a ocasião seja extremamente simplória [eu diria boba], o ritmo da música me chamou a atenção. Como não entendo uma vírgula do idioma japonês [por enquanto], resolvi consultar o Oráculo e descobri que a mensagem contida na música é bastante profunda. Nos últimos dias, nos Dias Finais, damos [pouca] vida a um universo cinza, onde palavras de incentivo, de encorajamento, de otimismo, são tão escassas quanto mentes inteligentes o são num baile “funk”.

Por isso decidi compartilhar com o Universo essa mensagem, numa [última?] tentativa de dizer [a mim mesmo] “força!”.

Eis o clipe:

E a letra: [fonte “Anime Lyrics“]

Original / Romaji Lyrics English Translation
Hitotsu! Kazoete susumeba ii,
Futatsu! Kazoete yasumeba ii,
Mittsu! Kazoete kangaerya ii,
Mai peesu de susumereba ii
count “one!” and continue on
count “two!” and take a break
count “three!” and think
just continue on at your own pace
Toki ga nagare tori no kosare
Aseru kimochi wo wasureru nakare
Mubou na chousen shosen muda to
Iwarete akirameru koto nakare
time flows  you’re left behind
don’t forget that impatient feeling
don’t say that the reckless challenge
was futile after all; don’t give up
Ofensu! kurushii toki ni
Koso koe wo dashite ikou
Ofensu! jibun ga
Mezashiteru hou e mukae
offense!  when you’re in pain
let’s let out a whisper and go
offense!  face yourself toward
the direction you’re aiming
Sobie tatta ooki na kabe ni
Osoreru koto wa nai
Kotae no nai kono jinsei wo
Mayou koto naku
Keep My Pace
no cowering at the giant wall
towering before you
no hesitating at this life
that has no answer either
keep to your own pace
Hitotsu! Kazoete susumeba ii,
Futatsu! Kazoete yasumeba ii,
Mittsu! Kazoete kangaerya ii,
Mai peesu de susumereba ii
count “one!” and continue on
count “two!” and take a break
count “three!” and think
just continue on at your own pace
Manabu koto no hontou no riyuu
Wakarazu ushinau bokura no jiyuu
Okubyou mono to yobaretemo
Ippo yuzureru sore ga yuuki
not understanding the real reason to learn
we lose our freedom
even if we’re called cowards
we yield one step  that is courage
Ofensu! Mawari nado
Kinisezu koe wo dashite ikou
Ofensu! kata no chikara wo nuite
Saa mukaou
offense!  let’s not worry about our surroundings
let’s let out our voices and go
offense!  let’s relax our shoulders and
now, let’s face it
Sora ni egaita mirai zu ni wa
Ima wa todokanakutemo
Itsu no hi nika ryoute wo nobashi
Tsukami ni ikou
Keep My Pace
as for the picture of the future drawn into the sky
even if we don’t arrive at it now
some day let’s stretch out both arms
and go grab it
keep to your own pace
Ofensu! dekiru dake
Ooki na koe wo dashite miyou
Ofensu! jibun ga mezashiteru hou e
Mukae
offense! let’s try letting out
as big a voice as we can
offense! face yourself toward
the direction you’re aiming
Sobie tatta ooki na kabe ni
Osoreru koto wa nai
kanawanai to nigete itemo
Kawari wa inai
no cowering at the giant wall
towering before you
even if you keep running away saying it won’t happen
there are no substitutions
Hibiki wataru hajimari no ka ne
Ima tachi agaru toki
Kotae no nai kono jinsei wo
Mayou koto naku
Keep my Pace
the bell has begun to resound
now  is the time to take a stand
no hesitating at this life that
has no answer
keep to your own pace
Hitotsu! Kazoete susumeba ii,
Futatsu! Kazoete yasumeba ii,
Mittsu! Kazoete kangaerya ii,
Mai peesu de susumereba ii
count “one!” and continue on
count “two!” and take a break
count “three!” and think
just continue on at your own pace

P.s.: se não saca inglês, desligue o computador e matricule-se num curso… Ou vai ficar caçando seu alimento na floresta para sempre.

Inumano

Publicado: 23/12/2011 em Uncategorized

Com toda a certeza tem alguma coisa muito errada com o mundo… Só não descobri ainda o que é, mas tem.

Mas como ter certeza se é o universo ou se sou eu o errado? Ora, se ‘universo’ compreende a minha percepção de toda a matéria, ok, então o louco sou eu. Mas se ‘universo’ refere-se a tudo o que existe exceto eu, então tudo está errado. Entretanto, assumindo que o erro está em tudo o que existe e sendo eu a única exceção, e portanto o único diferente no restante do mundo, isso não faria com que o errado fosse eu, e o resto do ‘mundo errado’ se transformaria automaticamente em certo?

Sinceramente, ainda não cheguei a uma conclusão.

Tudo o que sei por enquanto é que parece que a ordem das coisas não está correta. Sinto como se eu tivesse hábitos e costumes que existiram ou existem somente num outro universo, como se eu tivesse sido extraído daquele universo e inserido no mundo de vocês. Talvez isso explique as dores e as saudades que sinto de pessoas que nunca conheci, saudades de lugares que nunca fui. Fecho os olhos, principalmente nos momentos de maior angústia e estresse físico, e me reporto a um local bem semelhante ao da foto: uma cachoeira que termina num buraco, quase uma caverna, mas bem aberta, verde, cheirando a mato. Um lugar sagrado, de paz, onde eu jamais estou sozinho. Árvores e grama crescem ao longo do lago que se forma com a queda d’água. Ali, me deito sob a sombra de uma árvore e fico em paz.

Seria um local que criei na minha mente para fugir da realidade sempre que as coisas ficam ruins? Ou esse lugar de fato existe, e mais, teria estado lá?

O fato é que é muito difícil suportar o sentimento de que eu estou sozinho no mundo. Ser único não é tão maravilhoso quanto a mídia quer fazer parecer. E nesse ponto, especificamente quanto aos relacionamentos sociais, sou um paradoxo ambulante. Sinto a premente necessidade de ficar sozinho, de me isolar do restante da raça humana, e ao mesmo tempo invejo aquelas pessoas que estão sempre rodeados de amigos que ligam numa sexta a noite chamando para sair, ou que têm para quem contar um problema e pedir um conselho. Definitivamente, não é o meu caso.

Talvez eu tenha vindo com um defeito de fábrica, aliás, quebrado mesmo. Não deixo ninguém se aproximar o suficiente para me conhecer de verdade, mas ao mesmo tempo invejo aquelas amizades eternas, verdadeiras, sólidas.

Para efeito de comparação, sinto-me mais próximo do Dexter. Para quem ainda não viu, assista ao seriado. Em termos gerais, Dexter é um homem que veste uma máscara todos os dias quando sai de casa, pois sem ela não conseguiria viver em sociedade. É o meu caso. Nota: o personagem do seriado e do livro é um assassino, eu não. O máximo que tenho vontade de fazer é explodir a cabeça de algumas pessoas com a força do meu pensamento, mas infelizmente ainda não consegui.

Mas, voltando ao início e à razão deste post, o que vejo de errado, de diferente, no mundo é o fato de que as pessoas não estão nem aí para as outras. Se você prestar atenção, parar por um minuto e analisar algumas situações, me dará razão. Quantas vezes você espera um determinado comportamento ou uma reação específica de uma pessoa e ela simplesmente entra em torpor? Na medida do possível eu tento ser diferente, presto atenção ao que as pessoas me dizem, dou opiniões quando me pedem, aconselho quando necessário, faço com que as pessoas se sintam acolhidas, ainda que não tenha qualquer obrigação moral de fazê-lo. Infelizmente, a recíproca não é verdadeira.

Talvez esse seja apenas mais um mal da sociedade moderna: cada um olhando para o próprio umbigo. Por isso disse que talvez o errado seja eu, esperando coisas como ética, compaixão, amizade, cumplicidade de outros seres humanos. Mas é impossível aceitar isso como verdade sem questionar o seguinte: se hoje em dia ser humano é ser individualista e não dar a mínima para o próximo, então se eu sou diferente disso, logo, não sou humano!

Acho que é isso. Não sou humano mesmo. Eu devo ser um programa de computador, tal como a hipótese que levantei na página “about” deste blog.

Mas, se for um programa de computador, eu não deveria questionar essas coisas. E se o faço, seria um programa defeituoso… Ou seria um vírus?

Amaldiçoado

Publicado: 21/12/2011 em Uncategorized

Hoje foi um dia diferente. Não que o céu esteja mais claro, nem que os pássaros tenham cantado mais ou que o vento tenha soprado mais calmamente.

A diferença vai muito além disso. Algo muito importante se quebrou no cerne do meu ser. Sabe aqueles dogmas axiomático que nos ensinam desde pequenos e que carregamos a vida toda? Tomemos como por exemplo o “amor de mãe”.

Além daqueles casos nos quais mulheres abandonam a sua cria assim que terminam de parir, também temos exemplos nos quais a tortura física e os maus tratos põem em dúvida a existência do chamado ‘amor de mãe’. Mas agora pensemos: devemos mesmo esperar que uma mãe ame incondicionalmente seu filho? Seria mesmo uma função quase que biologicamente predeterminada?

Ora, até as cachorras devoram seus filhotes de vez em quando. E o que dizer de certos animais que abandonam a prole assim que nascem? Ou, ainda pior, o que dizer de seres humanos do sexo feminino que parem outros seres humanos, os enrolam em sacos plásticos e os atiram em rios, jogam em buracos ou os enterram vivos?

Daí você pergunta: mas qual o sentido de trazer um tema desses agora, e qual a relação dele com este blog? Simples! O que aconteceu hoje põe em cheque essa verdade absoluta que eu pressupus a vida toda: a de que a minha mãe me ama incondicionalmente.

Numa só tacada, enquanto conversávamos sobre as dificuldades pelas quais meu irmão está passando, quando eu aproveitei para alertá-la de que muitos desses problemas são causados por ele mesmo,  ela soltou a pérola:

– Eu tenho vergonha de você! Maldito o dia que você nasceu!

E isso foi dito com a maior das tranquilidades, no meio da rua, para quem quisesse ouvir e sem o menor ressentimento.

Para quem gosta e acredita no natal, imaginem ouvir isso há quatro dias dessa data [in]feliz na qual pessoas ditas “normais” estarão comemorando o amor entre a família.

O fato é que eu não vou me esquecer dessas palavras, independente de ela pedir ou não perdão.

E não adianta argumentar que ela estava nervosa, que isso é uma fase, que vai passar. Eu estou cansado de levar em consideração essas desculpas esfarrapadas que as pessoas dão para falar e fazer o que querem. Talvez esse fato tenha sido meu verdadeiro presente de natal [e não o tablet que comprei para mim].

Daqui para frente as coisas vão mudar, já que não tenho mais uma família com quem me preocupar.

Eu estava aqui envolto na última angústia que enebria e escurece meu dia… Na verdade, os últimos dias não foram fáceis.

Com a proximidade de uma grande mudança na minha vida [mais uma], tudo parece certo e incerto ao mesmo tempo. É como se caminhasse num campo minado, ou como se fosse uma daquelas crianças no quadro “Porta dos Desesperados“, literalmente perdido por não saber qual porta abrir [me lembro bem que atrás de uma delas tinha um prêmio, de outra um monstro e da terceira uma bobagem qualquer].

Mas o mais triste dessa situação não é o problema em si, muito menos a angústia que ele trás. O triste mesmo é a angústia por trás da angústia.

Não bastasse o fato de estar passando pelo dilema, e de não saber o que fazer, ainda me vem o descaso. Isso é o que mata.

Hoje mais cedo fiquei me perguntando quantas vezes na vida terei que dar uma peneirada nos amigos, fazer uma seleção e descartar as pessoas que não prestam e que estão apenas como um “placeholder” na minha vida. Gente irrelevante mesmo, sabe? Daquele tipo para quem não faz a menor diferença se você contar para ela que comeu aveia no café da manhã ou que amputou o braço na hora do almoço. A resposta é sempre a mesma, indiferente, distante, sem emoção, sem opinião, sem ação, sem comoção, sem compaixão.

Agora me esclareça uma coisa: eu sou doido, anormal, ou a maioria das pessoas, quando conta um problema para alguém, espera no mínimo que o ouvinte dê a sua opinião sobre o assunto? Acho importante sempre checar com as pessoas qual é o protocolo social a ser seguido, porque, partindo do princípio que eu não sou muito normal, preciso verificar se eu estou querendo algo impossível, absurdo, fora do comum como, por exemplo, esperar uma opinião sincera.

Para início de conversa, se não quisesse a opinião das pessoas sobre meu dilema, qual seria o sentido em contar para elas?

Aliás, acho que é aí que reside o problema! Eu estou errando em pedir a opinião das pessoas, em querer confrontar a minha “verdade” com a “verdade” delas. Mas, espera! Na faculdade me ensinaram que esse é o melhor método para resolver um problema. Então eu não sei [ainda] fazer diferente disso: tese + antítese = síntese!

Mas agora que detectei o problema [como sempre o problema sou eu], fica mais fácil de resolver. Ou não fica?

Analisando as probabilidades, a maior chance é a de que, deixando de compartilhar meus dilemas com as pessoas, eu, que já sou antissocial, me tornarei ainda mais recluso, ainda menos sociável, ainda mais quieto no meu canto. Isso me faz lembrar da época em que estava na segunda série: todas as crianças normais brincavam e corriam no pátio [e lanchavam] na hora do intervalo, exceto eu. Eu era a criança estranha. Aquela que procurava o canto mais escuro, mais sinistro da escola e ficava lá, quieto, sozinho, na minha. E quando as pessoas me perguntavam alguma coisa, eu não respondia nada. Será que isso é o que se considera normal hoje em dia?

Talvez a culpa disso seja a Internet e as redes sociais… Afinal, é mais “cool” ter 200 milhões de amigos no “Facebook” do que ter 1 amigo de verdade com quem você possa contar sempre.

O fato, só para encerrar, é que eu estou de saco cheio de ser ignorado. E com ação idiota, inevitavelmente uma reação se avoluma como uma tempestade tenebrosa, repleta de raios e relâmpagos num céu naturalmente escuro.

P.s.: to de saco cheio demais pra revisar os erros desse post, então vai do jeito que está. Sinta-se livre para procurar algo melhor no Google.

Me tornando um zumbi

Publicado: 10/11/2011 em Uncategorized

Depois de uma semana com febre de quase quarenta graus, estou começando a me recuperar de uma gripe muito forte.

Hoje eu sei como se sentem as pessoas em The Walking Dead, quando estão se transformando em zumbis. Puta-que-pariu! A febre destrói o corpo por dentro, a respiração fica cada vez mais difícil e dolorosa, seus olhos ficam fundos, sem expressão, com olheiras bem negras, as pernas não respondem com a mesma presteza e o caminhar é tão árduo e lento quanto o dos mortos-vivos.

De tanto remédio que eu tomei, agora estou começando a ter visões estranhas. Cabeças deformadas, sem corpo, pairando no espaço da sala, vultos negros rastejando aqui e ali, formas estranhas se acomodando no canto da cama, enquanto durmo. Mas sei que tudo isso é fruto desses remédios… Pelo menos é o que quero acreditar.

Hoje de manhã acordei assustado. Tive um pesadelo no qual era perseguido, numa rampa em espiral quadrada, por um homem cuja pele queimava e se transformava em carvão. No final do pesadelo, ele me alcançava e, enquanto eu pedia a Deus que me salvasse, ele dizia “Não torne isso mais difícil do que já é”. [Que merda foi essa???] A parte boa nessa história é que já ganhei uma inspiração a mais para o meu livro, “Érebo”.

Será que eu estou ficando velho?? Teria essa febre sido muito mais forte que as outras só porque completei os 30 anos?

A lição que tirei dessa experiência foi a de que preciso mudar meus hábitos alimentares, comer mais vegetais [já que cortei há muito tempo muitas porcarias como chocolate e muitos doces]. Outra mudança: exercícios. Certamente teria passado por isso mais rápido.

Mas ainda ando coçando a cabeça para descobrir de que profundeza nefasta do universo saiu aquela figura demoníaca…

Então…

Estou a 7 dias de completar 30 anos… Sinceramente, não achei que chegaria tão longe.

Não que eu esteja doente, nem que tenha vícios que me levem à morte. Mas há 23 anos eu via um futuro muito sombrio me esperando aos 30 anos de idade.

Tinha tudo para dar errado, claro.

Eu me via numa casa diferente das casas dos meus amigos. Meus pais se odiavam e passavam muito tempo reforçando esse ódio, gastando vida. Meu irmão mais velho nunca esteve de verdade por aqui. Sempre que as coisas ficavam ruins, e elas ficavam com uma frequência extraordinária, ele sumia. Eu, aos oito anos já fazia comida e limpava a casa antes da minha mãe chegar do trabalho. Durante o dia, meu cachorro me fazia companhia. Meus pais trabalhavam demais para colocar comida na mesa. Carinho e atenção de pai e mãe é um luxo que eu nunca tive.

Por isso eu via a casa dos meus amigos como algo fora da realidade. Pais que se importam como foi seu dia na escola, gente que conversa em vez de gritar, pessoas que bebem sem brigar… Muito surreal para mim. Se eu tinha inveja? Óbvio! Se eu pudesse definir ‘felicidade’ numa frase simples, diria: “é gente rindo e brincando, do outro lado do muro, e eu do lado de fora.”.

À medida que eu ia crescendo [mais para os lados que para cima], fui percebendo que minha previsão estava correta. As coisas não mudariam. Elas só ficavam cada vez piores. E assim foi durante um ‘bom’ tempo, pelo menos até meus 27 anos. Foi no ano de 2008 que perdi meu pai, justo um ano depois de ele descobrir que estava doente e resolver ser o que ele nunca foi: um pai de verdade. Deus ou o destino, como quiser, nos pregou uma peça épica: como odiar alguém que te maltratou uma vida inteira e em doze meses conseguiu desfazer todo o mal que causou? Ali, no instante em que voltava para casa, depois de enterrá-lo, percebi qual foi a missão daquele ser humano na terra: aprender e também ensinar o valor do perdão.

Quase três anos depois, aqui estamos.

Eu continuo o mesmo garoto de sempre: um moleque crescido, mal encarado, que odeia ser feito de bobo, odeia gente folgada, gente mentirosa, e que leva a vida na ‘tolerância zero’, mas com um coração bom. Sinto saudades do meu cachorro, especialmente do jeito como ele me olhava enquanto eu conversava com ele sobre os meus problemas. Ele, sim, foi um grande amigo. Ah, também não posso me esquecer da grande paixão que conheci aos 9 anos: Sonic! Assim que meu apartamento ficar pronto [março de 2012] devo decorar a sala com as cores do jogo original, lançado em 1991 [postarei as fotos aqui].

De vez em quando tenho alguns sonhos em série, aqueles que se repetem. Num deles, uma vez, um homem velho se aproximou de mim, enquanto eu observava uma floresta de um verde exuberante, e me disse para eu não ficar triste só porque estava chegando a hora de acordar, porque um dia eu não teria que passar por isso. Segundo ele, a realidade era lá, e o sonho, aqui. Eu não sei exatamente o que isso significa, mas sei que eu me sentia muito bem naquele lugar. E todas as vezes que volto naquela floresta, não quero acordar mais. Eu sinto que pertenço àquele lugar. Ali perto do lugar onde essa pessoa conversou comigo existe uma rua, com várias árvores altas, cujos galhos pendem ao alcance da mão, com folhas bem verdes e grandes. A rua é iluminada por raios de sol dourados, numa manhã de clima ameno. Do lado direito da calçada existem prédios de três andares, avermelhados, com portas de madeira preta, por onde se chega subindo uma escada de três degraus com um corrimão também preto. É ali que eu moro. Ou melhor, é ali que mora a minha paz de espírito.

E por falar em sonhos… Se os últimos 30 anos não foram exatamente muito bons [exceto os últimos 3], o que esperar daqui para frente? Sinceramente, não sei. Tudo o que posso dizer é que vou me esforçar para que os próximos anos sejam os melhores! Por isso eu sonho em conquistar muitas coisas ainda. Não sonho alto… Como bem diz o Dexter, o que eu realmente quero é ter uma vida tranquila. Não sonho com carros, altos salários, viagens, e nem luxos de qualquer natureza. Tudo o que eu quero é ter um trabalho digno, conquistar meu pão com o suor do meu rosto, e no final do dia voltar para a minha casa, jantar e dormir o sono dos justos, tendo a consciência tranquila por não ter enganado ninguém, nem mentido, nem praticado qualquer maldade. Eu deixo a ambição para os ambiciosos. Isso não serve para mim.

A maior conquista que eu sempre sonhei eu já conquistei: ter a minha casa, um cantinho só meu, à minha imagem e semelhança, onde ninguém vai gritar comigo, ninguém vai mandar em mim, nem me maltratar. A partir dessa conquista tudo de bom começa a acontecer com mais frequência… E se não acontecer mais nada, eu já estou feliz por Deus ter me permitido chegar até aqui, por nunca ter me abandonado, e por sempre falar comigo quando eu clamo por Ele.

Quanto ao presente de aniversário, não podia ser melhor: a empresa que faz os jogos do Sonic resolveu refazer com nova tecnologia [HD] as fases do jogo original lançado em 1991, 22 anos atrás… Quer presente melhor que esse??!

Em primeiro lugar, ECA! Prestem bem atenção na moça… E depois deem uma boa olhada no tal marido dela.

Qualquer um que more aqui em Vitória, de onde o ‘marido’ é, sabe muito bem com que ‘tipo de pessoa’ a bela resolveu se casar.

Bom, feitas essas considerações preliminares, quero manifestar meu total e irrestrito apoio ao Rafinha.

Penso que mais do que invocar a liberdade de expressão, garantida na Constituição da República Brasileira, é preciso invocar a liberdade de o telespectador trocar de canal.

Veja bem: se você assiste a um programa num canal e de repente alguém diz ou mostra algo que não te agrada, TROQUE DE CANAL!

O público que assiste programas como Comédia MTV, CQC, Pânico na TV, e outros do mesmo gênero, sabe exatamente a que tipo de humor está se expondo.

Diferentemente do que acontece com Zorra Total e A Praça é Nossa, programas como o CQC são destinados a um público diferente, jovem, que questiona a realidade. Ouvir uma frase como “eu comeria ela e o bebê” num programa como o CQC é milhões de vezes menos ofensivo do que ver bunda o tempo todo no A Praça é Nossa, no Domingo Legal, ou aquela horrenda [e hilária] representação da presidente ‘pilotando’ um metrô, no Zorra Total.

Quero dizer, para ser ainda mais claro, que pessoas comem pessoas o tempo todo. E dizer que comeria ela e o bebê pode ser facilmente compreendido como “eu comeria ela grávida ou não”.

Sinceramente, eu não comeria não… Vai que dá indigestão…

Agora, o que realmente me deixou puto nessa história toda foi o cara ser reprimido pelos colegas [Tas], além de ser afastado do programa.

Vi um comentário num site de um leitor dizendo o seguinte: “O cara faz tudo certo e ninguém nota… de repente comete um deslize e vira o pior ser humano do planeta???”. Concordo plenamente.

Na verdade, acho que quem deveria se fuder nessa história toda é a própria Band. Porque, convenhamos, Rafinha tem bastante talento para seguir com sua carreira e [quem sabe] levantar a audiência do SBT apresentando um programa semelhante ao que ele faz na Band, o tal “A Liga”.

Li na Veja uma declaração do Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, dizendo que o Rafinha é bobo… Hein??? Que autoridade alguém que é redator de Casseta e Planeta tem pra dizer que qualquer pessoa é boba? Eles são o ápice do que é considerado humor idiota, sem sentido e… BOBO!

Acho engraçado também essas organizações não- governamentais que defendem direitos das minorias e que [aparentemente] não têm nada melhor pra fazer e ficam assistindo televisão. Resultado: implicam porque o cara tá interpretando uma transexual chamada Valéria, implicam porque o Mion zuou a Nanny People, implicaram porque a MTV resolveu fazer piada com os autistas…

Então vamos lá: vou processar qualquer um que zoe quem usa óculos só porque eu uso óculos e represento uma minoria excluída. Ahhhh vai pra puta-que-pariu!!

Acho que esse país vai melhorar bastante quando cada um cuidar da sua própria bunda, quando deixarmos de nos preocupar com o que se diz no Twitter, quando ter ou não ter um perfil no Facebook não fizer a menor diferença, e quando, principalmente, shows de pseudo-artistas como o Justin ‘Biba’ deixarem de lotar estádios.

Olha, o que eu realmente queria dizer é que eu não comeria a Wanessa não, mas alguém, alguma hora, terá que acabar com a influência desse câncer na sociedade capixaba exercido pela família Buaiz.

E por falar em câncer, alguém avisa para o Magno Malta parar de meter o nariz aonde não é chamado?? Esse cara é um bandido disfarçado, que mantém uma casa de recuperação de viciados em drogas e que, para uma boa parte dos capixabas, funciona mais como uma escola do crime. Esse mesmo cara põe um bando de idiotas na rua para protestar contra o reconhecimento de uniões estáveis homossexuais, segundo ele, “em nome de Deus”… Mais uma vez, puta-que-pariu!

Como capixaba, lanço o desafio: o que de bom Magno Malta fez pelo Espírito Santo? Por mais que se procure, é difícil enxergar nele qualquer coisa que não seja lama e muita sujeira.

De volta ao assunto do suposto ‘humor negro’, eu tinha muitas restrições quanto a programas desse gênero. Criticava demais o Legendários, da Record, o Pânico na TV, da Rede TV, etc… Mas, sinceramente, agora, só de raiva, eu vou apoiar e assistir, porque não posso aceitar que caras como Ronaldinho e Magno Malta determinem o que eu posso ou não ouvir ou ver na televisão.

Mais uma vez: se não estiverem satisfeitos, troquem de canal! E sempre falo o mesmo do meu blog, se não gostar da minha opinião, feche a página ou volte ao Google e vá ler algum conto da Disney!

Estava agora há pouco conversando com um amigo que, indignado, não entendia como alguém consegue confundir amizade com amor.

E eu concordo com esse amigo, amizade é algo diferente do amor.

É da minha natureza cuidar das pessoas que eu considero como amigas. Me preocupo se estão bem, se estão se alimentando bem, se estão bem de saúde, se já tomaram um rumo na vida… Essas coisas.

O problema é que as pessoas confundem a nossa necessidade de cuidar com aquele sentimento de importância que a pessoa amada assume para nós.

Sabe aquela frase “Não to te dando bola, apenas fui gentil com você”? É a mais pura verdade.

Tá, ok, eu não sou nada gentil com as pessoas. Aliás, sou rude mesmo, bronco, prefiro me isolar na multidão a fazer uma nova amizade. Tenho medo de me relacionar…

Seres humanos são criaturas medonhas, estranhas, complicadas.

Levei muitos anos para conquistar os quatro amigos que eu tenho, e vou levar muitos anos até conquistar mais um ou dois.

Não é porque eu converso com você que te considero amigo…

Eu sou um cara complicado, acho que aí é onde reside o problema.

Inocência Perdida

Publicado: 23/08/2011 em Uncategorized

Estou aqui indignado assistindo ao Jornal Nacional.

Vi uma matéria na qual algumas “crianças” foram a um hotel no Rio de Janeiro, distraíram a recepcionista, furtaram um celular, e depois, encontradas pela PM e levados ao Conselho Tutelar, gritavam, xingavam, atiravam caixas nos policiais.

Essas “crianças”, segundo a reportagem, tinham algo no entorno de dez anos.

Ora, que diabo de mundo é esse????

Aí vem uma pedagoga doida e diz que a “solução” para esse problema é colocar essas crianças em escolas… Ahhhh, puta que pariu! Será que tá todo mundo cego e só eu enxergo a realidade como ela é?!

Essas criaturas já viraram zumbis há muito tempo!

E o que a gente faz com zumbi? Arranca a cabeça!!!!!!

Falando sério… Essas criaturas não se encaixam mais nos moldes da vida em sociedade. São criaturas corrompidas muito cedo. Não tem educação no mundo que dê jeito nisso! São viciados, e não somente em drogas. O vício que têm é o do errado, é o vício da transgressão.

Alguém um dia me disse que existem certos limites da vida em sociedade que todos devemos respeitar [como não roubar, não matar…]. Segundo me disseram, uma vez que a pessoa transgride, ultrapassa esses limites, ela pode até conseguir dar um passo atrás e voltar, mas ela jamais será como alguém que nunca cruzou aquela linha. Ou seja, se torna irrecuperável.

É esse o caso! Isso que você viu na reportagem não é uma criança, mas um arremedo de gente, um projeto mal sucedido de ser humano e que deve ser castrado o quanto antes.

Não estou fazendo apologia à morte de crianças. Aliás, repito, aquilo ali nem criança é. E mais uma vez, a apologia é quanto ao extermínio de todos aqueles que não se enquadram à vida em sociedade,  pacífica e calma. Essas coisas não são mais seres humanos…

Eu sempre achei que eu fosse meio doido [rs]. E até me assusto quando leio essas baboseiras que eu escrevo aqui. Não levem à sério. Meu “passageiro sombrio” [com a licença do Dexter] assusta mas não morde. Ele só vive aqui, nos limites binários desse blog.

Eu realmente queria que esse vírus maldito [as drogas] fosse exterminado do planeta. É triste ver como as pessoas se transformam em monstros… E se você acha que eu estou exagerando, espere até ver alguém que você ama, alguém da sua família, usando crack. A pessoa se transforma, como se todos os demônios do inferno incorporassem nela.

Eu vejo isso bem de perto, já mencionei isso em outra postagem…

Dia dos pais

Publicado: 14/08/2011 em Uncategorized

Eu queria muito, meu pai, poder te abraçar nesse dia, tal como eram todos os abraços, tímidos e rápidos.

Queria poder sentar com você na cozinha, como costumávamos fazer, e conversar sobre os seus problemas, sobre o meu trabalho, pedir os seus conselhos…

Como eu quis, muitas vezes, aliás.

Queria te entregar mais um cartão que eu mesmo fiz, como das outras vezes, pedindo presente ao invés de oferecer.

Presente que eu jamais ganhei, um pedido não atendido.

Se eu soubesse, aliás, se você soubesse, teríamos aproveitado mais.

Um ano foi muito pouco… Um lampejo de vida para quem ainda tinha tanto a dizer, tanto a compartilhar, tantos abraços para serem dados.

Eu sei, pai, que agora você me ouve. Sei que agora você atende ao meu pedido.

Eu não posso te ver, nem te abraçar, mas eu posso sentir que a sua presença é constante.

Por isso eu não quero ir te visitar. Não agora, não hoje. Ainda me lembro da última vez que te vi, e aquela não é a imagem que eu quero guardar de você.

Eu quero me lembrar, para sempre, das vezes que eu saí do trabalho para almoçar com você. Quero me lembrar de quando rimos juntos enquanto você contava as histórias da sua infância.

Quero me lembrar do único momento em que senti que você realmente precisava de mim… Eu passei a noite toda ao seu lado, te vigiando, ajudando quando fui solicitado.

Por isso hoje não é um dia alegre, meu pai.

Eu choro não por pena de você, mas de mim, que fiquei.

Eu sei que o pai, o nosso Pai, está cuidando muito bem de você. E que um dia estaremos juntos novamente.

Por isso hoje eu quero encerrar pedindo a sua bênção, tal como fazia todas as noites, antes de ir dormir.

Escuridão interior

Publicado: 14/08/2011 em Uncategorized

Avanço pela noite, sozinho em casa. Eu a mantive na meia escuridão. É assim que tem sido, é assim que deve ser.

Reviso meu passado, procuro dentro de mim uma explicação, mas a resposta que encontro é sempre a mesma: há algo quebrado aqui.

Talvez por isso eu me critico, e me remoldo, me reinvento, e me machuco tanto.

Quem eu realmente sou? Uma crise existencial constante? Uma busca infindável por uma resposta inexistente? Por que só eu vejo, ouço, sinto, percebo coisas que ninguém mais consegue?

Olhos me vigiam o tempo todo, eu sei. Por isso eu visto a máscara e represento o papel. É o que tem me mantido de pé.

Até que eu descubra a verdade [e ela virá à tona], prefiro espreitar na escuridão, realizar todos os movimentos requeridos pelo operador das cordas só para ver o que acontece no final.

Não sei exatamente o que você quer dizer, nem mesmo quando me procura nos sonhos mais profundos, tenebrosos, tétricos. Mas sinto você presente. E quando acordo, por mais que tenha consciência do despertar, a dúvida sempre permanece… Qual das realidades é o sonho?

Ainda posso ouvir o som da tempestade caindo lá fora. Sinto o cheiro das plantas molhadas. Eu estou numa casa fria, sem cor, sem vida, sem iluminação, assistindo um fim de tarde chuvoso, sem luz. O céu, pálido, mal consegue iluminar o dia, que permanece na penumbra, tal como todo o restante do dia foi. Me faço confortável, sentado num sofá improvisado na janela, enquanto assisto a chuva cair e molhar o vidro. Minha respiração é quente naquele universo morto para o calor, onde as plantas se misturam perfeitas num verde escuro harmônico, e onde as sombras são ainda mais negras. A solidão não me preocupa, mais uma vez, estou confortável embora esteja sozinho. Do lado de fora há um quintal grande e com tantas plantas que não posso ver o portão. Eu sei, de uma forma ou de outra, e de uma vez por todas, que ali é meu lugar. Mas o que eu faço aqui então? Por que acordar e estragar tudo? Para que perder aquela sensação de completude, de paz interior? Eu me basto ali. Um dia você, e eu sei que foi você, chegou até mim e disse para eu não me preocupar, porque um dia eu voltaria para aquele lugar, mas para sempre. E você completou: “porque aqui é a realidade, lá é o sonho.”. Eu sempre soube disso, só não compreendia antes.

E enquanto eu não retorno para aquele lugar onde chamo “casa”, tento aprender a fechar os olhos e me imaginar lá, no meu refúgio sagrado, onde ninguém pode me alcançar, onde não sou melhor e nem pior do que ninguém simplesmente porque não preciso ser, onde um momento mágico ficou para sempre imortalizado, suspenso no ar. Feche os olhos, escute o som da chuva caindo lá fora, sinta o cheiro das plantas molhadas, das almofadas sobre os seus pés, sinta a forma como o frio te faz abraçar os joelhos… Essa é a escuridão a que me refiro, é dela que eu preciso… É o que acalma a minha alma.

Detenção, escola, abandonada, silent hillDoce. A última coisa que alguém deve esperar que você seja.

Gentileza não tem qualquer relação com isso. Doçura implica inépcia para rudeza.

E todos nós concordamos que rudeza é o escudo que protege algumas pessoas, pessoas boas, das más.

Maldade, por sua vez, não está indissociavelmente ligada à existência de uma máscara, ou uma capa.

A experiência me ensinou que eu não devo temer o trol, mas o coelho branco sorridente.

Eu mesmo não me excluo desta afirmação.

E por mais que eu me faça trol, as pessoas teimam em enxergar o coelho.

O que me consola é que por dentro eu sou bem pior do que você imagina…

Eu sou normal…

Publicado: 31/07/2011 em Uncategorized

Então pessoal, acabo de descobrir e me filiar à verdadeira igreja, a única que tocou no meu coração!

Na noite mais fria, quando todas elas estão rasgando o vento gelado pelo céu, o que eu mais quero é calar todas as vozes dentro da minha cabeça.

A escuridão tenta me seduzir, conduzindo minha ira, povoando meus pensamentos com angústia e opressão, ofuscando a luz.

E somente no canto mais profundo da minha própria solidão é possível encontrar abrigo para a menor porção que me resta do meu eu.

A quietude é meu oxigênio, um mal necessário.

É nela que repousa minha alma.

 

Eu preciso tirar essas ideias macabras da minha cabeça antes que eu mate alguém na segunda-feira… Está ficando cada vez mais complicado manter relações diplomáticas com pessoas loucas.

Eu não estou falando de louco bonitinho, não. Estou falando de gente maluca mesmo, que não está conectada a esse plano de existência. Eu [acho que] sou aquele tipo de doido bonitinho, que não machuca ninguém [porque mantenho minha loucura na minha cabeça, ou no blog]. Mas tem muita gente maluca perdida por aí.

Uma das situações que mais me atormentam são excesso e divergência de requests. Só que no meu universo, ‘in dubio’ nunca é igual a ‘pro reo’ [no caso, eu]. Resumindo, eu to cansado de me ferrar! Sabe aquele bordão: “Tinha que ser o Chaves, mesmo!”? Pois bem, hoje eu me sinto como a ‘bola da vez’ para tudo o que dá errado.

Puta-que-pariu!

Se alguma coisa que eu invento dá certo, o crédito não é meu. Mas se algo dá errado… Pior que isso, eu odeio prejulgamentos! E isso é o que mais fazem comigo! Se eu visto uma meia vermelha, ou se esqueço de colocar a camisa azul, pelo amor de Deus! Não tem nenhum significado nisso! Eu posso, como qualquer pessoa normal, ter me esquecido que a camisa preta não combina com a calça azul, ou que a meia vermelha não é adequada para mim! Nem sempre existe um propósito cruel de destruição ou dominação mundial só porque eu faço ou deixo de fazer alguma coisa!

E sabe o que é engraçado? Se a mesma atitude [ou falta dela] é tomada por alguém que está no mesmo ‘nível’ que eu, a [in]ação é simplesmente ignorada. Daí surgem duas deduções: 1) ou eu sou tão foda, tão bom, tão gostoso, tão maneiro, que a ‘mídia’ fica em cima o tempo todo e por isso não posso sair da linha; 2) ou eu sou um fudido que só leva na cabeça por qualquer coisa que faça mesmo!

Acho que a segunda hipótese é a mais válida!

A verdade é que eu cansei de ser chamado à atenção por nada; cansei de ser culpado de coisas que todo mundo faz, mas só quando eu faço é que chama a atenção; cansei de ser o estandarte daqueles inúteis, medrosos, que não querem defender determinada posição… cansei de levar na cara por causa de vocês; cansei de me submeter, nas palavras de Silvio Santos, à “eletricidade vinda de baixo” de vocês, bem comum nas mulheres loucas; cansei de ser tratado como filho por pessoas que eu não quero que sejam minhas mães nem nesta, muito menos nas próximas dez milhões de encarnações [aliás, eu devo ter feito muito mal a vocês em outra vida para merecer ficar tão perto nesta]; cansei de ser o bom moço, aquele que sempre vai concordar com tudo o que vocês disserem; cansei de ser aquele que vai dar opinião mais sensata, porém, a primeira a ser ignorada…

E é por isso que eu vou embora da vida de vocês, para começar, tarde, eu reconheço, a viver a minha própria vida!

Balanço

Publicado: 17/07/2011 em Uncategorized

Já que estou há quase um ano desde que fui retirado do mercado de homens solteiros e disponíveis [rs], resolvi fazer uma retrospectiva da minha vida. Revirando algumas memórias, cheguei facilmente a seguinte conclusão: como eu era idiota! Só agora entendo, e posso compartilhar, o motivo de ter sido tão maltratado e passado para trás.

O problema é que eu era muito teatral, esperava viver um grande amor, sonhava com lugares-comuns…

Imagina se existem amores avassaladores, pessoas que choram quando dizem “eu te amo”, ou tardes frias passadas debaixo do cobertor vendo TV agarradinho com seu amor? Daí você pode dizer: “mas eu vivo um amor assim!”, e eu te respondo: “será?”. A grande verdade é que essas coisas existem sim, mas só quando a Drew Barrymore é quem “faz amor” [outra ficção] com Ben Stiller em frente à lareira, no inverno [vide Duplex, 2003].

É por causa dessas ideias preconcebidas de “relacionamento ideal” vendidas diariamente na mídia que as pessoas sofrem. Eu imaginava que teria um relacionamento feliz quando recebesse um telefonema no meio da tarde “‘só’ para dizer ‘eu te amo'”, ou quando passasse uma tarde fria debaixo do cobertor, ou quando fizesse uma viagem a dois para as montanhas… Bullshit!

A partir daí, é fácil perceber como existem pessoas que se aproveitam daqueles que esperam viver coisas assim. Exemplo: imagina que eu quisesse transar com alguém, e que me encontrasse com uma criatura que quisesse “fazer amor” e não simplesmente transar. O que eu faria? Diria para ela que eu sou um homem bacana, que sou sério, que quero compromisso… Depois, pé na bunda! [rs].

E por falar no tal “fazer amor”, é até vergonhoso dizer que um dia já acreditei nisso. Sério mesmo, e sem perder a fé no sentimento das pessoas, não acredito que isso exista. Aliás, acho que isso é uma ficção que ocorre na cabeça de uma das pessoas na cama. Para mim, no máximo, um dos dois  na cama pode até estar “fazendo amor”, mas o outro está é transando mesmo! Aliás, fazer amor, nas palavras de Rui e Vani, deve ser muito chato mesmo… Ninguém tem liberdade para nada! Um tédio só! kkkkkk

Então, depois de perceber o quanto era idiota por querer coisas que não existem*, me dei conta do quanto eu evoluí. Hoje sei que não existem relacionamentos ideais, sei que cada pessoa é diferente, e que não necessariamente um relacionamento é baseado em doação extrema, que não se pode dar a vida por ninguém, por mais bacana que a pessoa seja. Se eu estou namorando? Claro! Mas um ser humano de verdade, cheio de defeitos e qualidades, e não um personagem criado para me fazer feliz.

A sua felicidade é responsabilidade só sua. É idiotice responsabilizar outra pessoa por ela, porque só você é capaz de saber o que te faz feliz.

E quanto ao fato de afirmar que essas ideias prefabricadas de felicidade não existem, eu me baseio em alguns casamentos de fachada, nos quais famílias que se mostram perfeitas para a sociedade são completamente podres por dentro. Vocês não imaginam com quantos “cônjuges felizes” eu conversei pelo MSN [© da Microsoft Corporation] enquanto estava solteiro. Trocando em miúdos: gente casada querendo transar comigo… querendo trair… a maioria na própria casa do casal. Ridículo, não?!

Mas, voltando ao balanço, e também para finalizar, reconheci meu erro e também minha evolução. Talvez por isso tenha conseguido alcançar o status atual: um namoro sem cobranças, sem prisioneiros e sem carrascos, com uma fidelidade mais que presumida, fática. Esse negócio de andar de mãos dadas não me faz a menor falta, assim como não faz qualquer mal passar a tarde toda largado no sofá, mas cada um no seu próprio canto, sem troca de calor o tempo todo, até porque, eu não ando chocando nada, muito menos querendo fazer torrada…

Então… Vamos lá mais uma vez!

Eu sei que opinião religiosa não se discute. Aliás, longe de mim promover aqui qualquer discussão. Sempre afirmei e continuo dizendo que este é um espaço arbitrário no qual eu exponho minhas ideias. Tal como se faz na TV, “troque de canal” se não quiser ler.

Me responde uma coisa? Que diabos de esculhambação as pessoas estão fazendo com o nome de Deus ultimamente?

Na TV, pastores falam duas palavras com os nomes de Deus e de Jesus, intercalando com um bocado de informações erradas sobre “religiosidade”, e não sobre a religião Cristã. Sim, “religiosidade”, aquilo que está inserido num contexto supostamente religioso, mas que não é a religião propriamente dita [tal como este texto]. A diferença entre este texto e o que eles fazem é a enganação que promovem. Assisti um dia desses o “ilustre” “pastor” Silas Malafaia dizendo:

“Irmão, você liga ‘prá’ cá agora e compra essa Bíblia por R$ 299,00! E você deve estar se perguntando: ‘mas pastor, por quê a sua Bíblia custa R$ 299,00 e aqui do lado da minha casa a papelaria vende uma por R 15,00???’. Aí eu te respondo: ‘Irmão, essa Bíblia aqui não é uma Bíblia vagabunda [sic] como essa que vende na papelaria, não! Essa aqui é uma Bíblia costurada!!!'”.

Noutro exemplo, o “eminente” “pastor” R. R. Soares dizia:

“Irmão, se você sentir no Jesus tocando no seu coração, os obreiros vão passar o envelope, você preenche e se torna um ‘patrocinador’. Mas às vezes o inimigo segura, o inimigo diz ‘não, não vai não’, aí o irmão perde a bênção…”.

Ahhhhn????? Em primeiro lugar, “patrocinador” significa “aquele que banca as viagens internacionais do pastor”. Em segundo lugar, “inimigo” significa o quê? Palmeirense ou bambi??? Obviamente ele estava falando do “diabo”…. Então, vamos traduzir o que ele quis dizer: “Ou você me dá dinheiro, ou o diabo vai fazer você perder aquilo que você mais quer que Deus te dê”. Esse homem deveria ser santificado, de tão bacana!

Agora, meus amigos, vou afirmar publicamente algo que sempre digo: se quando morrer eu for para o “inferno”, e se chegar lá e não encontrar os “pastores” Silas Malafaia e R. R. Soares levando umas ‘tridentadas’ do diabo, ele que se cuide, porque eu vou redefinir o significado de inferno! Na minha simples opinião, “diabo” de verdade é quem usa o nome de Deus para se promover e/ou ganhar dinheiro [vide pastores/padres que enriquecem vendendo CD’s].

Diga-se de passagem, o “pastor” Silas Malafaia foi objeto de post em 21/01/2006 num outro blog, por ter sido ‘flagrado’ “na piscina do melhor Hotel 5 estrelas de Natal”… Imaginem de onde vem o dinheiro para tanto luxo.

Para coroar a falta de respeito com o Criador, observem o vídeo abaixo, especialmente a partir de 3’27”, no qual o trecho abaixo é cantado:

“Você foi promovido, o salário aumentou / A Ele toda a glória!”

“E aquele carrão que Ele te abençoou / A Ele toda a glória!”

Dispensa qualquer comentário  ¬¬

 

Por outro lado, diametralmente oposto a tudo isso, existem experiências bacanas. Há algum tempo eu descobri uma igreja australiana que tem iniciativas muito bacanas. Eles incentivam as pessoas a promoverem uma cultura não só de paz, mas de ajuda. Você é dentista? Então em vez de dar dinheiro à igreja, atenda pessoas que precisem gratuitamente! É assistente social? Doe uma parte do seu tempo para ajudar pessoas necessitadas! Esse é o espírito! Chega de perder tempo falando de um suposto ‘diabo’ que vai destruir sua vida, que espreita na escuridão o seu primeiro deslize para tomar a sua alma, chega de se preocupar com uma suposta guerra espiritual entre anjos e demônios! Basta! Se a religião é o Cristianismo, então vamos focar em Deus!

Outro detalhe bacana: essa igreja promove cultos online gratuitos todas as quartas-feiras. Basta visitar o site, verificar o horário e assistir! Os cultos são em inglês australiano, mas não é difícil compreender, não!

Só mais um garoto triste

Publicado: 15/06/2011 em Uncategorized

Algumas coisas perseguem a gente por toda a vida.

Não me refiro àquele hábito de fazer determinada coisa, de provar sempre o mesmo sabor, ver o mesmo tipo de filme, caminhar sempre pelo mesmo lado da calçada… É sobre as experiências de vida que falo.

Assim como  a maioria dos brasileiros, não tive qualquer facilidade em minha vida. As dificuldades, porém, fizeram cada minuto da jornada até aqui valer à pena. Mas certas experiências, certos dissabores, certas mágoas marcam nossa história de vida para sempre, tal como naquele provérbio: “as palavras ditas são como pregos fixados numa tábua…. Por mais que você os tire, as marcas produzidas por eles sempre estarão lá.”.

Acredito que o mesmo aconteça com as experiências de vida. Sou o produto delas. Até hoje ainda fico triste pelos mesmos motivos, choro [por que não?] pelos mesmos motivos e do mesmo jeito: me trancando no banheiro para ninguém ver, tal como quando tinha 12 anos.

E o motivo de tudo isso? Pessoas despreparadas para ter uma família, para representar o papel de pai, para educar, amar.

Minha revolta, na verdade, é com a hipocrisia da sociedade… Veja bem, para uma pessoa [mesmo solteira] ser pai/mãe, existem dois procedimentos: adoção ou sexo. Para o sexo, e portanto para ser pai, o único requisito é o tesão. Já para adotar, a lei impõe uma gama de requisitos.

Hoje, olho para trás e não consigo deixar de ver um garoto triste, sentado na calçada na frente de casa, esperando chegar o tempo em que se tornaria um homem, senhor da sua própria vida.

O tempo passou, e embora a alvorada do ano trinta se aproxime, o momento libertador ainda não chegou. São muitas as amarras que me prendem aqui…

Ah! Que saudades do meu cachorro! Durante muito tempo, aquele vira-latas amarelo, com o focinho preto, que corria de um lado para o outro do quintal e mostrava os dentes quando eu pedia para ele sorrir, foi meu grande amigo. Em todos os momentos tristes ele estava lá por mim. Quando eu me sentava na calçada do outro lado da rua, com o coração apertado de tristeza, ele vinha, se sentava do meu lado na calçada e colocava a patinha branca no meu ombro, como quem dizia: “Não fica assim, eu ‘tô aqui com você…”.

Em dias como hoje, dias difíceis principalmente porque terminam assim, com palavras duras ditas por alguém que pelas leis da natureza jamais deveria dirigí-las a você, eu me sinto como se tivesse 12 anos outra vez. A diferença é que meu cachorro não está aqui para me lember o rosto ou me estender a pata…

O Tempo e o caminho

Publicado: 26/05/2011 em Uncategorized

É curioso notar como o tempo transforma as coisas.

Num momento você é amado, no outro, odiado.

Num instante te põem num pedestal, no outro, apedrejam.

Durante anos você é ignorado, de repente, sua atenção é disputada.

Naquele tempo, chutavam você toda vez que se aproximava, hoje imploram a sua companhia.

Ontem fingiam que te amavam, hoje te amam platonicamente.

Há algum tempo você era feio, hoje, ainda que não muito, chama a atenção.

Aquela noite você batia à porta desesperado, hoje quem não quer abrir é você.

Mas a grandeza da vida não está em não abrir a porta ou retribuir a pisada ou o chute que levou no passado. Pelo contrário, a grande sabedoria reside em oferecer a outra face.

Obviamente não interpreto o provérbio bíblico ao pé da letra: não acho sábio bajular alguém que te tratou mal. Entendo-o como um aviso para não deixar a soberba controlar suas ações só porque hoje você está em situação privilegiada em relação àquele que te fez algum mal.

O mal está com ele, o praticador. Não queira tomá-lo para ti. Mas também não se sinta o último dos seres humanos só porque hoje foi o seu dia de deixar a porta fechada, pois até mesmo no bater sem resposta há aprendizado.