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ImagemBom, se você chegou até aqui é porque sabe bem do que estou falando: alergia ao corante amarelo chamado tartrazina, amplamente utilizado em alimentos em geral [principalmente balas], remédios e cosméticos.

Eu descobri há pouco tempo que tenho alergia a esse veneno alimentício e venho pesquisando muito sobre o assunto.

As informações ainda estão muito dispersas e é difícil chegar a conclusões, principalmente porque a ciência ainda não tem certeza e porque vários blog’s por aí andam trabalhando mais com “achismo” do que com informação de verdade.

Por isso, descobri algumas coisas que quero partilhar:

O Senado Federal está analisando um Projeto de Lei que visa a obrigar a todos os fabricantes de alimentos que contenham tartrazina a especificar, no rótulo, a informação [tal como ocorre nos alimentos que contém glúten]. Atualização: o Projeto de Lei foi arquivado, pois os parlamentares entenderam que a) não há prova de que a tartrazina causa alergia e b) não se trata de assunto relevante para o país neste momento. Para acompanhar o andamento do projeto, clique neste link. Também a Câmara dos Deputados possui um projeto de lei em tramitação sobre o assunto, que pode ser consultado neste link.

O Ministério Público Federal de São Paulo ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA peticionando que a Justiça obrigue os fabricantes de alimentos que contém tartrazina a escreverem nos rótulos: “Este produto contém o corante amarelo tartrazina que pode causar reações de natureza alérgica, entre as quais asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao Ácido Acetil Salicílico” [sic]. A Ação Civil Pública foi proposta perante a Justiça Federal, sob o número 2005.61.00.008841-8 e já obteve sentença favorável do juiz. A íntegra da sentença pode ser lida neste link. Entretanto, houve apelação [a ANVISA recorreu, aparentemente sob a alegação de que não há embasamento científico suficiente para a obrigatoriedade da transcrição nos rótulos, e que isso poderia causar medo na população de comer um ou outro alimento].

Aqui cabem duas considerações. Primeiro, a mera indicação no rótulo do alimento dizendo que um de seus ingredientes é a tartrazina [como é feita hoje em dia] não basta para proteger o cidadão e muito menos garante o seu direito à saúde e à informação [art. 6.º III c/c art. 9.º do Código de Defesa do Consumidor, consultável neste link]. Eu mesmo desconhecia o fato de ser alérgico à tartrazina, embora soubesse que era alérgico ao ácido acetilsalicílico [AAS, Dipirona, etc.]. Em segundo lugar, a ANVISA dizer que não há embasamento científico para a proibição do uso do corante não exclui a obrigatoriedade de os fabricantes nos informarem do que estamos ingerindo.

Sinceramente, não dou a mínima para a falta de pesquisas sérias nesta área. Explicando: numa sociedade capitalista, na qual o que move a mão do administrador público é o dinheiro, acho pouco provável que haja alguma pesquisa realmente levada à sério. Isso porque a iniciativa pública não se moveu até o momento e o interesse da iniciativa privada é da continuidade do uso do corante.

O que realmente me incomoda é saber que a partir de hoje minhas refeições serão como um campo minado: a qualquer momento posso comer alguma coisa e ter urticária, asma ou edema de glote, já que a informação a que tenho direito está sendo negada pelos fabricantes.

Só depois de passar por tudo isso eu parei de debochar dos “naturebas” [como a maioria das pessoas fazem]. Agora, quando vou ao supermercado, as pessoas ficam me olhando porque eu examino os ingredientes de cada alimento, por menores que sejam as letras.

A verdade, meus amigos, é que a indústria alimentícia está envenenando as pessoas todos os dias! A quantidade de corantes, acidulantes, conservantes, aromatizantes e o escambau a quatro contida nos alimentos é assustadora. Tudo o que é industrializado possui esses venenos. Antes, eu me preocupava com a minha hipertensão arterial e evitava alimentos com alta concentração de sódio, principalmente os enlatados. Hoje, nem suco de garrafa eu tomo mais. Sigo uma alimentação o mais natural possível e vigio atentamente as reações do meu corpo quando é impossível substituir um alimento industrializado por um natural.

Tudo indica, juridicamente falando, que o nosso direito à informação vai prevalecer. Os rótulos devem ser mudados. A única forma de isso não acontecer é o poder do capital falar mais alto e a sociedade se calar.

Ainda não entendi porque isso não foi veiculado na imprensa… Talvez porque esse tipo de notícia não vende tanto quanto marginal sendo morto pela polícia [o que, a meu ver, é algo muito mais que natural].